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Refletindo sobre os 135 anos da República Brasileira: entre avanços e desafios

Josival Pereira recebeu o historiador Martinho Guedes

Por Carlos Rocha Publicado em
Refletindo sobre os 135 anos da República Brasileira: entre avanços e desafios
Refletindo sobre os 135 anos da República Brasileira: entre avanços e desafios (Foto: Reprodução/ TV Tambaú)

O programa Tambaú Debate, apresentado por Josival Pereira, recebeu, nesta quarta-feira (15), o historiador Martinho Guedes para uma conversa sobre os 135 anos da Proclamação da República brasileira.

O debate começou com uma análise crítica dos movimentos que antecederam o 15 de novembro de 1889. O professor ressaltou que, apesar dos avanços e momentos positivos ao longo desses anos, é essencial considerar as ponderações sobre os limites da República, especialmente no que diz respeito à cidadania brasileira.

Martinho Guedes destacou a evolução da República ao longo dos anos, mas também ressaltou a necessidade de compreender verdadeiramente o significado de ser parte da República desde 1889. Ele abordou questões importantes, como a participação popular, apontando que, diferentemente de outros países, o movimento republicano no Brasil não envolveu fortemente a sociedade.

O historiador enfatizou que a Proclamação da República foi, de certa forma, um golpe, com os militares tomando a frente para evitar um movimento popular mais expressivo. Ele também mencionou que, na época, a população negra e ex-escravizada não participou efetivamente desse processo, uma vez que a ideia de cidadania republicana excluía esses grupos.

Durante o debate, Martinho Guedes abordou o período inicial da República, destacando a influência de intelectuais, a falta de participação popular efetiva e a predominância de uma elite branca e católica. Ele ressaltou que o ano de 1889 coincidiu com a recente abolição da escravidão, criando um cenário desafiador para a inclusão de ex-escravizados no novo modelo republicano.

A conversa também abordou o momento pós-1889, caracterizado por uma República militar, com golpes e contra-golpes. Martinho Guedes discutiu a construção do discurso positivista e a ampliação do aparato burocrático do Estado para acomodar a elite intelectual formada em Coimbra, Portugal.

Ao longo do programa, o historiador mencionou a política do "café com leite", que marcou a República Velha, evidenciando a influência econômica desses estados na política nacional. Ele argumentou que essa política contribuiu para uma visão restritiva da cidadania, com eleições fraudulentas e exclusões socioeconômicas.

Martinho Guedes encerrou o debate apontando que as dificuldades atuais na consolidação da democracia no Brasil têm raízes profundas na história autoritária e excludente da República. Ele ressaltou a importância de uma compreensão mais ampla de cidadania, indo além do simples ato de votar, para promover uma participação efetiva e consciente na sociedade.

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