Paraíba

Paraibana que vive na Itália diz estar vivendo um horror por conta do coronavírus

Nesta terça-feira (10), o novo coronavírus (Sars-CoV-2) já havia chegado a 109 países somente neste mês de março.

Publicado em 11/03/2020 11:20 Atualizado em 26/11/2020 23:19
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Por Redação Portal T5
Paraibana que vive na Itália diz estar vivendo um horror por conta do coronavírus

Foto: Reprodução/Késia Toso

A paraibana Kesia Monteiro Toso mora na Itália há 12 anos e vive em

Sirmione, que fica na província de Brescia, localizada a 112km de

Codogno, uma das regiões afetadas pelo coronavírus. No final de

fevereiro, ela contou ao Portal T5, que no início do surto houve

certo pânico, por conta da falta de informação.

“No início houve

pânico, mas acredito que era pela escassez de informação. Num

momento era um vírus que estava adoecendo pessoas na China e em

pouco tempo, estava aqui na Itália. O governo agiu muito rapidamente

em informar os cidadãos e isolar as áreas mais atingidas. Foi muito

rápida a intervenção do governo. Isso ajudou a tranquilizar a

população”, contou na época.

Agora, a situação

é completamente diferente. “As coisas mudaram completamente desde

que falei com a reportagem. Tudo está complicado aqui...hoje usei a

máscara pela primeira vez, surreal! Digamos que de quinta feira pra

cá, a situação deu uma virada pra pior. O sentimento é e choque,

de surpresa...”, revelou ao Portal T5 nesta quarta-feira (11).

Kesia explicou que o

comércio foi totalmente afetado pelo surto da doença. “Eu

trabalho no bar de um restaurante, o comércio está fechando! Os

bares e restaurantes que, pelo decreto, deviam fechar só após as

18h, decidiram não abrir nem durante o dia. Graças a Deus, os

supermercados continuam sendo abastecidos, postos de gasolina,

farmácias...Esses serviços estão garantidos. Mas as pessoas se

assustaram quando saiu o último decreto, definindo a Itália inteira

como zona vermelha. Houve uma invasão absurda aos supermercados

durante a noite, o presidente pedindo que não aglomerassem os

lugares, mas o medo falou mais alto”, revelou.

Em meio ao pânico,

a orientação é que as pessoas fiquem em casa para se proteger. E

surge a esperança de que os dias ruins terminem. “As pessoas

finalmente entenderam que o único modo de sobreviver a essa crise é

ficando em casa. Saindo o mínimo possível. Eu me ofereci para fazer

supermercado para a minha sogra, que é idosa e mais algumas pessoas

próximas, para evitar que haja mais pessoas pelas ruas. É isso o

que estamos fazendo, evitando sair. Hoje eu usei a máscara pela

primeira vez, o sentimento é de incredulidade. Há 10 dias isso era

uma possibilidade tão distante, estávamos apenas na zona amarela.

Hoje usamos máscaras para ir ao supermercado... acho que a ficha vai

caindo aos poucos”, ponderou.

A paraibana disse ao

Portal T5 que viajou para a Inglaterra na semana passada e que notou

o esvaziamento nos aeroportos e nas ruas. “Eu viajei pra Inglaterra

na quinta. Havia pouquíssima gente no aeroporto, o avião quase

vazio. Nunca vi isso antes! Tenho família lá e como as crianças

estão em casa ainda, fui. Mas no sábado saiu o decreto blindando a

Lombardia, ficamos com muito medo de não conseguir entrar.

Conseguimos, mas até o último momento, o medo de cancelarem o voo

era grande”, explicou.

Vivendo esse momento

difícil na Itália, Kesia faz um alerta. “É importante que as

pessoas aí no Brasil saibam que esse vírus não é uma coisa

simples. Pelo que o presidente Bolsonaro andou falando, ele não está

levando a sério. E é precisa levar, o contágio é muito rápido”,

destacou.

Coronavírus

Nesta terça-feira (10), o novo coronavírus (Sars-CoV-2) já havia

chegado a 109 países somente neste mês de março. O vírus começou

a aparecer em dezembro de 2019, segundo o primeiro relatório da

Organização Mundial da Saúde (OMS) em 21 de janeiro.

No Brasil, há 893

casos suspeitos, com 34 casos confirmados. Outros 780 casos foram

descartados. Conforme o Ministério da Saúde, 5 pacientes estão

hospitalizados.

Na Paraíba, sete casos suspeitos estão sendo investigados. Os pacientes suspeitos na capital são três idosos e uma criança e estão em isolamento domiciliar. Eles têm 6, 65, 72, 74 e 80 anos, são residentes em João Pessoa com histórico de viagem para os EUA, com exceção do paciente de 74 anos, que fez viagem recente para a Europa.

Já os pacientes monitorados em Campina Grande têm 37 e 72 anos. Um deles tem histórico de viagem para Europa e outro para os EUA. Um deles está em isolamento domiciliar e o outro em observação na UPA do bairro Alto Branco. 

Até o momento, 6 casos já foram descartados na Paraíba. Nenhum caso confirmado.

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