Paraíba

Igrejas guardam retalhos históricos de João Pessoa; assista

​João Pessoa, que já nasceu cidade, tem sua história entrelaçada com o catolicismo.

Publicado em 05/08/2019 13:00 Atualizado em 18/11/2020 13:51
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Por Redação Portal T5
Igrejas guardam retalhos históricos de João Pessoa; assista

João Pessoa, que já nasceu cidade, tem sua história entrelaçada com o catolicismo. A cada descoberta, a Coroa portuguesa enviava um representante da igreja. Em meio aos conflitos com índios nativos da região, a igreja foi o elo para apaziguar as relações.

“Cada ordem, cada irmandade, tinha sua missão. No caso dos franciscanos, eles tiveram missões em Taquara, no Litoral Sul e em Tambaú, no Litoral Norte. Cada um tinha o seu espaço de colonização, levando a religião católica para os nativos, evitando conflitos. Os franciscanos, os jesuítas, os carmelitas e os beneditos chegaram no mesmo período e daí começaram a construir os seus monumentos, que são os que temos hoje”, explicou Augusto Moraes, coordenador de cultura da Arquidiocese da Paraíba.

A Arquidiocese da Paraíba é responsável por 94 igrejas sedes de paróquia, em 49 municípios. Em João Pessoa, são 45 paróquias e algumas delas preservam a história em sua arquitetura, da época de fundação da cidade.

“Quando os colonizadores chegaram aqui, os portugueses, juntamente com os potiguaras e os tabajaras, que fizeram o pacto, foram escolher o local para construir a cidade. Eles tinham que fazer o marco. Então, foi nessa colina”, ressaltou Augusto.

A Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves é um marco histórico do desenvolvimento da capital paraibana. Atualmente não pode ser considerada a mais antiga em arquitetura, porque já passou por 4 reformas, sendo demolida três vezes. Mas foi lá onde a pedra fundamental foi instalada no século 16, sendo construída em taipa e passando por reformas ao longo dos anos.

“A arquitetura da Basílica é eclética, do final do século 19. Era a moda da época, a mistura dos estilos”, lembrou Augusto.

Considerada a padroeira da cidade, Nossa Senhora das Neves é um símbolo de fé e de confiança em Cristo para os católicos, maioria na população paraibana, sendo apontado como o terceiro estado do país, com maior número de católicos, segundo o Mapa das Religiões da Fundação Getúlio Vargas.

“Nossa Senhora das Neves é um título dado à Maria, mãe de Deus e nossa mãe. Uma mulher de fé, de oração, que colocou sua fé diante de Deus”, ponderou o padre Adriano da Silva Soares.

Ao lado da Catedral Basílica, há o Complexo Cultural São Francisco, um monumento histórico, o maior no estilo barroco da América Latina. Logo na entrada, há um cruzeiro, sinal do poder do cristianismo. A igreja de São Francisco é considerada uma das mais belas da capital, recebendo turistas de várias partes do país e de fora do Brasil. “É um dos mais importantes em termos de beleza plástica, principalmente a fachada, que é da segunda fase do barroco. É muito harmônico, trabalhado em pedra calcária. É uma fachada muito rica”, disse Augusto.

A igreja está inserida no Convento de Santo Antônio e na parte interna da igreja encontramos a capela dourada, dedicada as chagas de São Francisco. Ao lado, bem menor e mais simples, está a Capela de são beneditino, usadas por escravos da época. “Ainda tem o forro, que é uma beleza extraordinária com essa pintura do século 18. Uma pintura ilusionista de grande valor artístico. O púlpito é considerada uma das mais belas obras do barroco brasileiro”, completou.   

A Igreja da Misericórdia está localizada no coração comercial da cidade e é considerada a mais antiga da capital paraibana. Foi de Duarte Gomes da Silveira, dono de um engenho, a iniciativa de construí-la. Em estrutura, ela data do século 16 e mesmo sendo um patrimônio privado, não pertencente à Arquidiocese, ela chegou a ser por quase 100 anos a Igreja Matriz de João Pessoa, enquanto a catedral passava por reformas. Durante muitos anos, nas lojas que existem hoje no local, funcionava o Hospital da Misericórdia, com trabalho social importante para a população mais carente.

João Batista atua hoje como coordenador da Igreja. Mas seu trabalho no local começou em 1981. “Duarte Gomes da Silveira foi a pessoa que recebeu mais recursos, por que trouxe de Olinda toda riqueza que herdou do pai. Aqui chegando fundou vários engenhos e a igreja”, contou à reportagem.

Texto: Vanessa Braz

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