Paraíba

Trauminha não tem dignidade para atendimento a pacientes, diz CRM-PB

Secretaria de Saúde de João Pessoa deve realizar reunião nesta quinta (11).

Publicado em 11/11/2021 11:35
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Por Redação Portal T5
Unidade passa por reforma e pacientes são internados pelos corredores.

Unidade passa por reforma e pacientes são internados pelos corredores. (Foto: Arquivo pessoal cedido ao Portal T5.)

O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) pode interditar o Complexo Hospitalar Governador Tarcísio Burity, o Trauminha, no bairro de Mangabeira, em João Pessoa. "Não existe dignidade para o atendimento médico nem para a população ser recebida", declarou o médico Bruno Leandro de Souza, diretor de fiscalização do órgão ao Portal T5.

Nessa quarta-feira (10), uma inspeção do CRM-PB identificou a falta de insumos básicos como lâmina de bisturi, luvas, itens para realização de eletrocardiograma, aparelho de pressão, oxímetro, monitores e medicamentos essenciais. "Pacientes com hemorragias digestivas não tinham medicação que pudesse protegê-los", disse o médico. Nesse dia, também houve uma reunião entre a direção técnica e geral do Trauminha com o CRM-PB.

A reportagem do Portal T5 teve acesso a imagens feitas pelo CRM-PB durante a fiscalização. Veja no fim da matéria

Nas próximas horas, outra reunião deve ser realizada entre o secretário de Saúde de João Pessoa, Fábio Rocha, e o CRM-PB deve acontecer para elaboração de um cronograma de resolução das questões.

Estrutura de hospital oferece riscos a pacientes e médicos. (Foto: CRM-PB/Divulgação)

Segundo a fiscalização, atualmente, 87 médicos trabalham na unidade para atendimento diário de pelo menos 100 pessoas nas clínicas e para procedimentos cirúrgicos. "Apesar da escala estar completa, o hospital não oferece condições para atendimento médico". Para a fiscalização, o número de procedimentos poderia ser maior. "Esses dados são superestimados, pois, algumas especialidades sequer estão agendando pacientes porque sabem que não tem material", contou.

De acordo com o médico Bruno Leandro, até lâmpadas faltam em consultórios da unidade. "Estive lá no período noturno e estava tudo escuro. Sequer tinha lâmpada para realizar o atendimento médico. São falhas que poderiam ser resolvidas de forma rápida, mas são tantas, que começa a inviabilizar a resolução", disse.

Em 2020, o Trauminha foi interditado pelo CRM-PB por questões estruturais. A unidade retornou o atendimento aos pacientes após a concessão de uma liminar a favor da Prefeitura de João Pessoa. "As reformas começaram a ser realizadas, mas ao nosso olhar, estão em ritmo lento", avaliou.

“O problema do Trauminha é crônico e vem inclusive de gestões passadas”. 

Conforme a fiscalização, não só o Trauminha tem sido alvo de denúncias em João Pessoa. “Estou preocupado, pois temos recebido denúncias do Hospital do Valentina, das UPAS e das unidades básicas. Parece-me algo sistêmico”, finalizou. 

O Portal T5 pediu esclarecimentos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) sobre as denúncias da população e a fiscalização do CRM-PB no hospital, mas até a publicação desta matéria não houve resposta.

Confira a galeria de imagens:

(Foto: CRM-PB)
(Foto: CRM-PB)
(Foto: CRM-PB)
(Foto: CRM-PB)
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