Política

Temer diz que apresentará documentos bancários após Barroso ordenar quebra de sigilo

Barroso ordenou a quebra do sigilo bancário de Temer, de 2013 a 2017, em inquérito que investiga o suposto favorecimento do presidente.

Publicado em 06/03/2018 05:19 Atualizado em 26/11/2020 13:11
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Por Redação Portal T5
Temer diz que apresentará documentos bancários após Barroso ordenar quebra de sigilo

O

presidente Michel Temer (MDB) vai tornar públicos os seus extratos

bancários depois da ordem do ministro Luís Roberto Barroso, do STF

(Supremo Tribunal Federal), para a quebra de seu sigilo bancário,

informou a assessoria da Presidência da República na noite dessa

segunda-feira (5).

Barroso

ordenou a quebra do sigilo bancário de Temer, de

2013 a 2017, em inquérito que investiga o suposto favorecimento do

presidente, em troca de propinas, à empresa Rodrimar em um decreto

sobre o setor portuário. A decisão é do dia 27 de fevereiro e

atende a um pedido do delegado Cleyber Malta, responsável

pelo inquérito.

"O

presidente Michel Temer solicitará ao Banco Central os extratos de

suas contas bancárias referentes ao período mencionado hoje no

despacho do iminente ministro Luís Roberto Barroso. E dará à

imprensa total acesso a esses documentos. O presidente não tem

nenhuma preocupação com as informações constantes em suas contas

bancárias", diz a nota divulgada pela Secretaria Especial de

Comunicação Social da Presidência.

No

início da noite, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos

Marun, disse que o presidente Michel Temer ainda não foi

oficialmente notificado da decisão de Barroso, mas que .

Afirmou ainda que houve uma "falta de cautela" na ordem do

ministro do STF, a qual considerou "indevida". "Este

inquérito é como a investigação de um assassinato de alguém que

não morreu", declarou.

No

começo de fevereiro, o então diretor-geral da Polícia Federal,

Fernando Segovia, deu uma polêmica entrevista na qual criticou a

qualidade das provas do inquérito e indicou que a investigação

poderia ser arquivada. A repercussão da declaração foi um dos

motivos que

levaram à demissão de Segovia depois de apenas 3 meses no cargo.

Na

semana passada, Barroso autorizou a prorrogação das investigações

pela Polícia Federal por mais 60 dias e determinou a abertura

de investigação para apurar o suposto vazamento de informações

sobre o inquérito.

Quando

a PF encerrar as apurações, apresentará um relatório final

sobre o caso. Caberá à PGR (Procuradoria-Geral da

República) avaliar se será ou não apresentada denúncia, caso

seja considerado que existem provas de crimes praticados por Temer ou

por outros investigados.

Após

a PGR chegar a uma conclusão, Temer poderá se tornar alvo de uma

terceira denúncia apresentada ao STF. Mas a continuidade do processo

seria submetida à decisão da Câmara. Outras duas denúncias contra

o presidente foram arquivadas pela Casa no ano passado.

Se

os deputados barrarem o processo, Temer só poderá responder na

Justiça às acusações da Procuradoria após deixar o cargo. Este é

o último ano de mandato do presidente.

Entenda a investigação

As suspeitas sobre Temer em torno da edição do Decreto dos Portos surgiram a partir de uma conversa de pouco mais de 2 minutos com o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) interceptada pela Polícia Federal em 4 de maio. Loures, que foi assessor especial da Presidência, ficou conhecido nacionalmente depois de ter sido flagrado pela Polícia Federal recebendo uma mala com R$ 500 mil na investigação envolvendo a JBS.

O então deputado tentava saber sobre a assinatura do decreto dos Portos, e Temer informou o parlamentar que iria assinar o decreto na semana seguinte. Temer assinou o decreto no dia 10 de maio.

Depois da conversa com Temer, Rocha Loures passou informações por telefone a Ricardo Conrado Mesquita, membro do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira dos Terminais Portuários e diretor da empresa Rodrimar, que opera no Porto de Santos. Mesquita e Antônio Celso Grecco, dono da Rodrimar, também são investigados.

Barroso autorizou a abertura do inquérito em setembro do ano passado. Em janeiro, Temer prestou depoimento por escrito à Polícia Federal e negou ter recebido qualquer "oferta de valor" para beneficiar a Rodrimar no decreto dos portos. O presidente também afirmou que nunca pediu a Rocha Loures que "recebesse recursos de campanha ou de qualquer outra origem" em seu nome. Com Estadão Conteúdo.

Temer também disse que o decreto publicado em seu governo não beneficiou a Rodrimar, e que ele não acompanhou diretamente a elaboração das novas regras para o setor, o que teria sido feito pelo Ministério dos Transportes. A medida não foi aprovada pelo Planalto e ficou de fora do decreto.

Quando o inquérito foi aberto, a Rodrimar declarou que nunca recebeu qualquer privilégio do Poder Público. A empresa afirmou que o decreto atendeu, sim, a uma reivindicação de todo o setor de terminais portuários do país. 

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