Paraíba

Pesquisadores da PB avaliam práticas de assédio, perseguição e trolagem na internet

Atitudes podem ter relação com consumo de vídeos violentos e brigas em ambientes virtuais

Publicado em 29/10/2020 15:00 Atualizado em 17/11/2020 16:25
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Por Redação Portal T5

Um estudo do Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) está avaliando o comportamento antissocial de usuários brasileiros da internet, através das práticas de cyberbullying (assédio virtual), cyberstalking (perseguição on-line) e trollagem (trote).

A pesquisa é do Laboratório de Psicologia da Mídia e faz parte do projeto de mestrado da estudante Isabella Silva Santos, sob orientação do professor Carlos Eduardo Pimentel.

De acordo com a mestranda, o trabalho pretende relacionar esses comportamentos com outras variáveis, especialmente com o consumo de vídeos violentos (agressão, assalto) e brigas em ambientes virtuais.

Os resultados da parte teórica da pesquisa apontam que personalidades sombrias, entre elas a psicopatia, o narcisismo e o maquiavelismo, estão consistentemente relacionadas aos mais diversos comportamentos antissociais on-line. 

Dos resultados práticos, duas informações chamam atenção. “Os tipos de comportamento antissocial on-line se relacionam entre si, então uma pessoa que faz cyberbullying, por exemplo, tem mais probabilidade de perseguir alguém na internet e vice-versa. Isso mostra o quanto é importante estudar esses comportamentos de forma integrada, porque entender as raízes de um pode ser a chave de outro”, explica Isabella.

A outra informação relevante vem da frequência em que as pessoas utilizam as redes sociais digitais. Os usuários que utilizam mais o WhatsApp e o Twitter possuem maior probabilidade de serem expostos a conteúdo antissocial on-line. “Os internautas dessas redes são mais vulneráveis a receber esse tipo de conteúdo”, diz a pesquisadora.

Por sua vez, o uso do Facebook com mais frequência se relaciona com a trollagem, enquanto o uso maior do Instagram está associado ao comportamento antissocial sexual, como enviar conteúdo explícito sem consentimento.

“Essas informações demonstram que as peculiaridades de cada rede social podem propiciar diferentes formas de disseminação de conteúdo negativo”, afirma Isabella.

A pesquisadora conta que a ideia do estudo surgiu no final do ano passado. “Já havíamos trabalhado no laboratório com várias pesquisas sobre internet e redes sociais, mas observamos que ainda havia poucos estudos sobre comportamento antissocial on-line no Brasil”.

O objetivo da dissertação, a longo prazo, é abordar esses temas de forma teórica e, posteriormente, validar instrumentos de medida necessários. Em seguida, pretende-se relacionar o comportamento antissocial com variáveis a respeito da personalidade e das atitudes frente à violência. 

Isabella salienta o quanto é relevante compreendermos as formas de interação na internet, já que grande parte da nossa vida atualmente se passa nela. 

“A investigação das formas de causar dano a outras pessoas virtualmente ainda é muito escassa aqui no Brasil, o que é extremamente contrastante com o quão frequentes são essas agressões no nosso país. Então é necessário quais são esses comportamentos e quais são suas causas para pensarmos formas eficazes de lidar com eles”. 

A coleta de dados foi realizada com voluntários com idade acima de 18 anos. Os resultados definitivos serão divulgados no final do ano que vem ou no início de 2022.

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