Paraíba

Paraibanos desenvolvem inseticida capaz de combater o Aedes Aegypti

O mosquito é transmissor de doenças como zika, dengue e chinkungunya

Publicado em 06/10/2018 14:02 Atualizado em 26/11/2020 05:09
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Por Redação Portal T5
Paraibanos desenvolvem inseticida capaz de combater o Aedes Aegypti

Aedes Aegypti
Aedes Aegypti Foto: Reprodução/Internet

De janeiro a

agosto de 2018, a Paraíba registrou um aumento de 243% do número de

casos de dengue comparado ao ano anterior. Os dados divulgados pela

Secretaria de Estado da Saúde (SES) apontam 9.737 registros esse

ano, enquanto em 2017, neste mesmo período, foram contabilizados

2.835 casos.

O aumento em

relação à zika foi de 146% de notificações de casos suspeitos, e

a chinkungunya foi a única doença transmitida pelo mosquito que

apresentou uma redução de 31%.

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Planta de sisal de onde o suco é extraído para a produção do inseticida
Planta de sisal de onde o suco é extraído para a produção do inseticida Reprodução/Internet

Projeto de Pesquisa

O Centro de

Biotecnologia (CBiotec) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB),

deparado ao número crescente de registro de casos de arboviroses no

estado, buscou desenvolver um produto capaz de combater o mosquito

Aedes Aegypti e contribuir para a diminuição do surto de doenças

que afetam pessoas de todas as faixas etárias da sociedade, nos 223

municípios espalhados pela Paraíba. O projeto iniciou-se em 2012 em

uma parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

(EMBRAPA Algodão) onde eles desenvolvem um projeto para resgate da

cultura do sisal. A planta, utilizada para a produção de fibras,

tem apenas 5% de aproveitamento, visto que 95% dela é composta por

um suco que é desperdiçado no processo. A partir disso, a Embrapa

trouxe a demanda para a universidade, que tem como alguns dos pilares pesquisa e

inovação tecnológica, o suco do sisal para que fosse testado e

constatado se havia alguma atividade biológica. Aplicado contra as

larvas do mosquito Aedes Aegypti, foram surpreendidos com uma

excelente atividade inseticida.

O projeto de

pesquisa é coordenado pela professora Fabíola de Cruz,

Vice-diretora do Centro de Biotecnologia. Ela explica que logo após

observarem os efeitos nos primeiros testes, começaram estudos mais

aprofundados para entender melhor o mecanismo de ação do suco de

sisal no efeito inseticida. Eles trabalharam com todas as fases de

vida do mosquito, desde ovo até adulto, e perceberam que o combate é

mais eficiente na fase de larva, mas que também tinha atividade na

fase adulta, então isso poderia no futuro virar um inseticida tanto

na utilização em água parada quanto do tipo spray e aerossol.

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O suco do sisal é mais eficiente no combate do mosquito na fase larval, pois ao ingerir o alimento que tem na água, o suco aplicado tem a capacidade de causar uma necrose celular no intestino das larvas, o que configura a larva como a melhor fase para combate do mosquito. Porém, surgiu um desdobramento na pesquisa em relação à fase do mosquito já adulto, que partiu através de uma variedade do sisal melhorada geneticamente pela Embrapa e que apresentou uma excelente atividade nos mosquitos adultos, tanto como spray quanto na confecção de iscas comestíveis. Outro detalhe interessante acerca da pesquisa é que foi analisado que a produção a partir do suco não é tão prática, já que vários litros do suco de sisal teriam que ser transportados e distribuídos para os agentes de endemia. Pensando nisso, a UFPB apresentou o problema à Embrapa e foi sugerido que o suco fosse liofilizado, ou seja, transformado em pó, desta forma, mantendo os princípios ativos, mas diminuindo o volume do produto já que a água seria retirada, o que facilitaria o transporte pelos agentes e traria muitas vantagens do ponto de vista da praticidade.

A cultura da planta de sisal está em declínio no Brasil. O Nordeste é o maior produtor e exporta para o mundo inteiro, mas com o surgimento das fibras sintéticas para a confecção de vassouras, cordas e outros elementos que são feitos da fibra do sisal, fez com que essa produção fosse diminuindo e perdendo importância econômica. Se o suco que hoje é jogado fora, passa a ser reaproveitado, agrega valor à cultura do sisal e traz fortalecimento do produto, fomentando novamente uma melhor renda para o produtor e tornando o produto economicamente interessante e viável.  


Mosquito em fase de larva, onde o suco do sisal é aplicado na água para que ele se alimente do inseticida
Suco do sisal incorporado à água onde as larvas estavam vivendo Lukas Santiago/RTC

Fabíola de Cruz

chama a atenção para a importância da conscientização e que as

maneiras de prevenção da reprodução do mosquito ainda é a melhor

alternativa. “O mosquito é uma verdadeira praga urbana, pois ele

tem um potencial de adaptação ao ambiente urbano que é

impressionante. É um mosquito que gosta de colocar os ovos em água

parada e limpa, e se adapta a qualquer recipiente que a gente tem em

casa como vaso de planta, lata de refrigerante, garrafa pet, e pneu.

Ele tem fase de ovo, larva, pupa e depois adulto e todas essas fases,

de ovo até pupa, acontecem no ambiente aquático, daí a importância

de eliminar toda possibilidade água parada. O tempo de vida do

mosquito varia de 30 a 40 dias na fase adulta”.

A Biotecnologista

Louise Guimarães, que foi a aluna que deu início a pesquisa junto

com a coordenadora, conta sobre a responsabilidade e contribuição

social que o projeto traz para a população. “Eu posso dizer

que antes eu não tinha ideia do impacto que o mosquito podia causar

na vida de uma pessoa, e depois que entrei na pesquisa, eu conheci

todas as fases do mosquito e percebi que para a eliminação das

doenças, é necessário combater o vetor. É uma forma de ajudar as

outras pessoas, porque você é bem pequeninho, mas consegue ajudar

com o todo, melhorando a saúde da população”.

Ações da SES

A Secretaria de

Saúde do Estado promove ações de combate ao mosquito Aedes

Aegypti, transmissor das arboviroses, através de monitoramento da

situação epidemiológica e ambiental, mobilização e distribuição

de material educativo e a intervenção com o UBV pesado (carro

fumacê), conforme os critérios estabelecidos.  

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