Política

Ministro do Meio Ambiente diz que desmatamento zero é o mesmo que tirar posse do dono da terra

Salles diz que é preciso fazer essa ponderação porque o Brasil tem um código florestal que já delimita o uso das áreas

Publicado em 21/02/2021 11:05 Atualizado em 21/02/2021 11:13
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Por Redação Portal T5
(Foto: Divulgação/SBT)

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, rechaçou a discussão sobre estabelecer o desmatamento zero na Amazônia para evitar a savanização da floresta. Salles ressaltou que o Governo persegue a meta de acabar com o desmatamento criminoso e disse que há uma grande diferença entre as duas propostas.

"Defender o desmatamento ilegal zero, nós também defendemos. O desmatamento ilegal zero significa nada além do que a lei autoriza e o desmatamento zero significa que a propriedade não é mais sua. No fundo é dizer para a pessoa: você tem uma propriedade, mas ela não é sua, você não pode fazer nada", argumentou, em entrevista ao Poder em Foco, que vai ao ar neste domingo (21), após o Programa Silvio Santos, no SBT.

Salles diz que é preciso fazer essa ponderação porque o Brasil tem um código florestal que já delimita o uso das áreas. "Nós temos uma regra muito mais restritiva que qualquer outro país, que determina que na Amazônia 80% de cada propriedade tem que ser mantida a título de reserva legal e os outros 20% o proprietário pode usar para produção agropecuária", explicou.

A sugestão de proibir totalmente os desmatamentos é apresentada pelo climatologista Carlos Nobre, primeiro brasileiro a ganhar o Prêmio de Diplomacia Científica da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS).  Neste ano, a entidade escolheu homenageá-lo por "seu trabalho ao longo de toda a carreira para entender e proteger a biodiversidade e os povos indígenas da Amazônia".

Há mais de 40 anos, o pesquisador se dedica à geociência e às ciências ambientais e desde 1991 formulou a hipótese de savanização da Amazônia. Para ele, o Brasil se aproxima do tipping-point (ponto de inflexão) da Amazônia, um momento de mudança drástica que não teria mais como ser mudado em que a floresta tropical viraria savana.

Salles ironiza: "Faz 30 anos que Carlos Nobre fala que a Amazônia está chegando na savanização. Então, se ele tivesse razão, a gente já estava lá. Outro dia, inclusive, vi uma matéria de jornal de 1985 exatamente com essas colocações de que em 2010 a Amazônia estaria savanizada. Estamos em 2020 e ela está com 84% de preservação na sua vegetação primária, original".

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