Política

​João Azevêdo anuncia desfiliação do PSB: "Em busca da democracia perdida"

"Como humanos, todos temos nossos limites", declarou o governador.

Publicado em 03/12/2019 12:38 Atualizado em 27/11/2020 03:33
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Por Redação Portal T5
​João Azevêdo anuncia desfiliação do PSB: "Em busca da democracia perdida"

João Azevêdo, governador da Paraíba
João Azevêdo, governador da Paraíba Foto: Reprodução / TV Tambaú

O

governador João Azevêdo não

é mais do Partido

Socialista Brasileiro (PSB). O

anúncio

oficial

aconteceu nesta

terça-feira (3) à

imprensa. Além disso, por meio de uma carta,

João

afirma

que aguardou

pelo acerto dos pontos

por parte do partido – o que segundo ele não aconteceu.

Confira

o texto na íntegra

Saio

do PSB em busca da democracia perdida

Ao povo

paraibano.

Tenho exercido

os limites da paciência para não incorrer nas falhas que a pressa

leva sempre a cometermos. Mas, como humanos, todos temos nossos

limites. E o meu chegou com o PSB, partido ao qual sou filiado e me

elegi governador em 2018. Desde a dissolução do Diretório

Estadual, em agosto deste ano, sucedido por uma intervenção

nacional ou simplesmentpelo golpe aplicado – segundo companheiros

de partido e a imprensa local, que o incômodo com a situação só

se agravava e exigia, mais cedo ou mais tarde, uma tomada de decisão.

E ela chegou. Saio do PSB em busca da democracia perdida.

Muitos achavam

que essa decisão deveria ter sido imediata ao ato de força que

culminou com a dissolução do Diretório eleito em congresso, sem a

menor justificativa. Ou quando foi nomeada uma Comissão Interventora

pela direção nacional da legenda que colocaram meu nome junto com o

senador Veneziano Vital e outros dois companheiros, sem consulta

alguma, nessa tal Comissão Interventora.

Não a tomei em

nenhum desses momentos, embora justificativas não faltassem,

justamente para que os ânimos pudessem ser serenados, o diálogo

restabelecido e a ordem verdadeiramente democrática voltasse a

predominar no PSB paraibano.

O que se viu, no

entanto, foi a falta de qualquer gesto ou atitude de autocrítica

pelo terrível erro cometido com a bonita história de nosso partido

na Paraíba. Nos nivelamos a legendas autocráticas, de ocasião, sem

zelo pelos mandatos eletivos em andamento. E pensar que o partido

acaba de realizar evento nacional para promover uma Autorreforma. Sem

democracia interna não existem sequer reformas, imaginem

autorreforma.

A democracia que

defendemos não deve ser um conceito vago, um ser abstrato, que se

usa quando convém, para embasar as próprias teses e dar ganho de

causa a argumentos e procedimentos. Democracia é uma palavra viva

que precisa estar presente no nosso dia a dia. E eu procuro

praticá-la nas minhas atividades, no cotidiano, com minha equipe,

com amigos, com companheiros e companheiras, na relação com a

comunidade, com as instituições e os movimentos sociais. Uma

prática que adoto em família, compartilhando com minha esposa e

estendendo esse conceito a filhos e netos, como um legado de vida.

Mágoas e

rancores não cabem em meu coração. Apenas lamentações. A

primeira, por ter que deixar o partido pelo qual fui eleito. Sem

antes deixar de agradecer a todos os militantes, dirigentes e

colaboradores que confiaram nas nossas propostas e têm hipotecado

solidariedade irrestrita nesse momento tão delicado.

A segunda e

última lamentação eu não poderia deixar de registrar, porque essa

dói profundamente e não vou guardar apenas comigo, pois isso faz

mal à alma. Ironicamente, as maiores críticas ao nosso Governo

nesses 11 meses não vieram da oposição, dos partidos políticos,

dos sindicatos e associações de classe, dos deputados na

Assembléia, da imprensa, dos artistas e intelectuais, das

universidades e da sociedade em geral, que têm toda legitimidade

para contestar e apontar os caminhos a serem seguidos pelos

governantes.

A maioria das

críticas – ou melhor, dos ataques –, veio de membros do nosso

próprio partido. E não foi do militante lá na ponta ou de alguém

que votou e contribuiu de alguma forma, talvez desgostoso com algum

fato menor ou desentendimento com alguém dos quadros governamentais.

O antagonismo veio de figuras de proa do PSB, que mesmo antes da

Intervenção ou do golpe, já atacavam o Governo, secretários e o

governador.

Cheguei a ser

severamente criticado em entrevistas e redes sociais simplesmente por

dar continuidade ao Projeto do PSB, por sequenciar obras e

realizações que não foram concluídas até 31 de dezembro de 2018

e muitas dadas como concluídas e inauguradas. Mantivemos nomes e

continuamos todos os programas e projetos do Governo anterior, com

direito a ampliá-los, incorporando novas visões e atores sociais.

Mantive grande parte da equipe anterior, mesmo assim, pelo fato de

ter realmente assumido as funções de governador do estado, tomando

minhas próprias decisões, com possíveis erros e acertos, não foi

do agrado de alguns que achavam que continuariam a governar a

Paraíba.

Convivi neste

período, com boicotes e sabotagens internos à gestão promovidos

por alguns, que apegados a funções e salários, não tiveram a

dignidade de entregar seus cargos, agindo ou não sob algum tipo de

comando superior.

Confesso que

ainda não entendi o porquê disso tudo. Quais objetivos se escondem

– se é que existem ou foi de ato impensado – para a semeadura de

tanta discórdia em uma legenda que venceu as eleições de forma

consagradora e transformou-se na maior agremiação partidária do

Estado.

Mas, como a vida

é feita de ciclos, iniciaremos uma nova caminhada a partir de hoje.

“A

cada chamado da vida, o coração deve estar pronto para a despedida

e para novo começo, com ânimo e sem lamúrias”, assim escreveu um

famoso escritor alemão.

Quero agradecer

aos inúmeros convites que tenho recebido, de dirigentes estaduais e

nacionais, para ingressar em uma nova legenda. Não abri diálogo e

nem avancei em qualquer tratativa, ante minha filiação anterior ao

PSB. Mas irei fazê-lo neste final de ano, a fim de iniciar 2020 em

uma nova e acolhedora casa. Não pretendo criar novo partido ou

seguir modismos oportunistas. Acredito que o fortalecimento da

democracia passa por partidos programáticos, ideológicos, com

diversidade, unidade e, principalmente, com eleições internas de

seus membros em fóruns regimentais e respeito às decisões de todas

as instâncias partidárias.

Irei mudar de

partido porque o meu atual desconfigurou-se por completo na Paraíba.

Mas os princípios e o conjunto de idéias que acredito, caminharão

sempre comigo. Vou procurar uma legenda que se afine com nossa visão

de mundo e de Brasil, que não seja sectária, dona da verdade, que

não exerça patrulha ideológica e refute alianças programáticas.

Também que não flerte com o extremismo, com o fanatismo político,

seja de direita ou de esquerda, nem tampouco pratique a idolatria

personalista. Que os discursos para dentro sejam os mesmos para fora.

Que a verdade seja sempre o que norteie as decisões. Que o dinheiro

público seja respeitado.

Acredito em um

partido que abrace o pluralismo de idéias, a independência e o

respeito entre os poderes; que professe a liberdade de imprensa e de

religião, o estado laico, o multiculturalismo, o desenvolvimento

sustentável, a globalização e a inclusão social com

desenvolvimento; a defesa das causas ambientais, o direito das

minorias e o respeito às famílias; a diversidade, o

empreendedorismo e o Estado para corrigir as desigualdades e também

como indutor da economia; os valores cristãos, sem usar em vão o

nome de Deus em atividade política; e, por fim, a harmonia, o

diálogo e a paz social entre nós cidadãos.

Aos amigos e

amigas que esperaram por essa decisão e confiam em nosso trabalho,

que com muita humildade e seriedade vem mantendo e melhorando

praticamente todos os índices da Paraíba, em destaque no cenário

nacional, convido-os para nos acompanhar nessa caminhada que se

inicia.

A partir de

hoje, vou consultar muitos de vocês para que tomemos a decisão em

conjunto, porque ninguém, sozinho, é dono da verdade.

Aos paraibanos e

paraibanas, meus sinceros respeitos. Ajudem-me a continuar trilhando

o mesmo caminho confiado, até o dia 31 de dezembro de 2022.

DEMOCRACIA,

SEMPRE!

DITADURA, NUNCA MAIS!

João Azevêdo

Lins Filho

Governador da Paraíba".

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