Política

Governo federal exonera suspeito de cobrar propina na compra de vacina

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo relatou que integrante do governo teria cobrado propina de US$ 1 por dose de vacina

Publicado em 30/06/2021 05:47 Atualizado em 30/06/2021 06:00
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Por SBT News
Roberto Dias, diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde

Roberto Dias, diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O Ministério da Saúde anunciou, na noite dessa terça-feira (29), a exoneração do diretor de Logística da pasta, Roberto Dias. A decisão será publicada na edição desta quarta-feira (30) do Diário Oficial da União.

De acordo com o ministério, a exoneração foi decidida na manhã desta terça-feira. O fato, porém, foi comunicado pouco depois de reportagem do jornal Folha de S.Paulo relatar que Dias teria cobrado propina de US$ 1 por dose para fechar um contrato de compra de vacina. A afirmação foi feita por um representante de uma empresa que vende imunizantes.

Segundo a publicação, o representante é Luiz Paulo Dominguetti Pereira, da empresa Davati Medical Supply. A cobrança de propina teria ocorrido durante jantar em um restaurante de um shopping na área central de Brasília, em 25 de fevereiro.

A conversa foi para negociar 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca, ao custo de US$ 3,50/cada (segundo a Folha, o valor subiria depois para US$ 15,50). Dominguetti definiu "o que aconteceu nesses bastidores com o Roberto Dias" como "uma coisa muito tenebrosa, muito asquerosa".

"Eu falei que nós tínhamos a vacina, que a empresa era uma empresa forte, a Davati. E aí ele falou: 'Olha, para trabalhar dentro do ministério, tem que compor com o grupo'. E eu falei: 'Mas como compor com o grupo? Que composição que seria essa?' (...) Aí ele me disse que não avançava dentro do ministério se a gente não composse com o grupo, que existe um grupo que só trabalhava dentro do ministério, se a gente conseguisse algo a mais tinha que majorar o valor da vacina, que a vacina teria que ter um valor diferente do que a proposta que a gente estava propondo (...) Aí eu falei que não tinha como, não fazia, mesmo porque a vacina vinha lá de fora e que eles não faziam, não operavam daquela forma. Ele me disse: 'Pensa direitinho, se você quiser vender vacina no ministério tem que ser dessa forma'", disse o representante. Questionado pela reportagem sobre qual seria a forma, ele respondeu: "Acrescentar 1 dólar".

Dominguetti ainda afirmou que é possível confirmar o encontro. "Se pegar a telemetria do meu celular, as câmeras do shopping, do restaurante, qualquer coisa, vai ver que eu estava lá com ele e era ele mesmo."

CPI da Covid

Após a publicação, o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, Omar Aziz (PSD-AM), classificou as acusações de "denúncia forte" e disse que a CPI vai convocar Dominguetti para depor ao colegiado na próxima sexta-feira (2). O vice-presidente, Randolfe Rodrigues, usou os termos "corrupção" e "ladroagem" e afirmou que apresentará requerimento para a convocação do representante da Davati.

Covaxin

A denúncia surge em meio às suspeitas sobre um outro contrato de compra de vacina. Na semana passada, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) contou ter procurado o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) depois de ter sido avisado pelo irmão, Luis Ricardo Miranda, que é servidor do Ministério da Saúde, de um suposto esquema de superfaturamento envolvendo o imunizante indiano. 

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, na última sexta-feira (25), o parlamentar contou que, na ocasião, o presidente teria dito que havia um interesse do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR) no contrato.

Ainda de acordo com a reportagem, Roberto Dias foi indicado ao cargo por Barros. A nomeação do diretor ocorreu em 8 de janeiro de 2019, durante a gestão de Luiz Henrique Mandetta (DEM). Após a publicação do material, o deputado usou as redes sociais para dizer que, à época da nomeação do funcionário, "não estava alinhado ao governo", não tendo sido responsável, por tanto, pela indicação, e que desconhece "totalmente a denúncia".

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