Paraíba

Desmatamento na "Dubai" de João Pessoa sustenta tráfico de drogas, diz MP

Suposto líder da criminalidade na região foi preso nesta terça-feira (9).

Publicado em 09/11/2021 10:24 Atualizado em 09/11/2021 12:01
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Por Dennison Vasconcelos
Dinheiro, drogas e um arma foram apreendidas na comunidade.

Dinheiro, drogas e um arma foram apreendidas na comunidade. (Foto: Ewerton Correia/RTC)

O Ministério Público da Paraíba cobra da Prefeitura de João Pessoa medidas para enfrentamento ao desmatamento, grilagem de terras e tráfico de drogas na comunidade Dubai, no bairro de Mangabeira. Nesta terça-feira (9), a Polícia Militar (PM) prendeu o suspeito de comandar a ocupação. Conhecido como 'Sheik', o homem foi detido com R$ 67 mil em espécie, cocaína e um revólver.

Em setembro deste ano, o Portal T5 denunciou, com exclusividade, o desmatamento de 13 hectares de Mata Atlântica por famílias em vulnerabilidade em busca de moradia. Cerca de 1.500 pessoas vivem abrigadas em construções de risco, rodeadas pelo desmatamento que corresponde a 13 campos de futebol.

Agora, a investigação do órgão ministerial aponta a prática de grilagem, que corresponde a obtenção da posse ou propriedade de terra por meio ilícito. Para a promotoria, um grupo criminoso vende lotes no terreno para financiar o tráfico de drogas na região.

O promotor de Justiça Carlos Romero Paulo Neto solicitou relatórios da Secretaria de Habitação sobre a condição social das pessoas que vivem na área de preservação. Segundo o jurista, o cadastramento das famílias e entrega dos documentos não aconteceu pois os agentes alegaram falta de segurança na região. "Está havendo entendimento entre a Secretaria de Segurança Urbana de João Pessoa e a Polícia Militar para apoio aos agentes da pasta de habitação e do meio ambiente para realização de incursões no local", disse ao Portal T5.

Comparação da área de preservação ambiental entre julho de 2020 e setembro de 2021.

Para o promotor, além da esfera criminal, o problema social e a devastação também merecem empenho para resolução. "Existe a devastação ambiental que precisará ser recuperada. Esse não é um processo fácil. Vamos precisar de tempo, pois essas questões não se resolvem de modo instantâneo". A cobrança do Ministério Público também é para impedimento do desmatamento. "Tenho cobrado que a Secretaria de Segurança Urbana evite o aumento das ocupações. Nas semanas anteriores, materiais de construção foram apreendidos para evitar a instalação de novos assentamentos", disse.

Sobre as famílias sem moradia, Carlos Romero acredita que a carência é uma das menores demandas da ocupação. "O problema social realmente existe porque há pessoas vulneráveis lá, mas isso é em menor proporção. Relatórios da polícia apontam que existe grilagem de terras. O que existe é uma organização criminosa de elementos visando demarcar território e fazer caixa, arrecadar dinheiro para o tráfico de drogas através da venda de terrenos", concluiu.

Área de preservação ambiental de responsabilidade da Prefeitura de João Pessoa. (Foto: Arquivo pessoal cedido ao Portal T5)

A secretária de Habitação da Capital, Socorro Gadelha, disse ao Portal T5 que espera a Guarda Municipal de João Pessoa e não há elaboração em andamento do relatório com cadastramento dos moradores de Dubai até o momento.

Em nota, a Guarda Civil Metropolitana disse que "está trabalhando com ações de segurança na comunidade Dubai, com serviço de inteligência".

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