Paraíba

Conheça a paraibana que mandou carta para o presidente dos EUA

Mikaelle Farias e outros cinco ativistas enviaram o documento alertando Joe Biden sobre a política de Jair Bolsonaro

Publicado em 12/05/2021 13:13 Atualizado em 13/05/2021 07:52
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Por Juliana Alves
Mikaelle Farias durante protesto, em João Pessoa

Mikaelle Farias durante protesto, em João Pessoa (Foto: Reprodução/Instagram @mikaellefarias_)

A paraibana Mikaelle Farias, 19 anos, está entre os seis jovens ativistas brasileiros que assinaram uma carta direcionada ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, sobre “uma série de desmontes ambientais” que estão acontecendo no Brasil. Ela faz parte do Fridays for future (FFF), movimento popular iniciado em 2018 pela jovem sueca Greta Thunberg para debater medidas para conter o aquecimento global.

Mikaelle mora em Cabedelo, município do Litoral Norte da Paraíba, e é estudante de administração de empresas. Em conversa com o Portal T5, ela contou que se tornou ativista socioambiental em 2019, quando houve o derramamento de petróleo em praias do Nordeste.

“Minha região foi uma das atingidas, e, ao perceber o tamanho do desastre ambiental que prejudicou não só a vida marinha como também as pessoas que vivem da pesca, eu precisava entender um pouco mais o porquê o governo não estava agindo de forma eficaz sobre essa situação”, explicou.

A carta

No dia 21 de abril, um dia antes da ‘Cúpula de Líderes sobre o Clima’, organizada pelo Governo dos Estados Unidos, Mikaelle e outras jovens ativistas enviaram uma carta para Joe Biden para alertá-lo sobre a política do presidente Jair Bolsonaro a respeito de questões ambientais. “A carta foi escrita com uma narrativa dos jovens brasileiros. Ela foi enviada como um sentido de alerta e desabafo”, disse a paraibana.

Entre as questões ambientais no Brasil levantadas na carta ao presidente dos Estados Unidos, Mikaelle destaca “o sucateamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio)”. Além da “interrupção no Fundo Amazônia para a preservação da floresta, os constantes ataques aos povos indígenas e os posicionamentos contrários ao Acordo de Paris, os quais podem causar retrocessos nas políticas ambientais propostas pelo acordo internacional firmado em 2015”, declarou Mikaelle Farias.

“As mudanças climáticas não conhecem fronteiras e o que acontece em determinado país afeta o outro. Não lutar contra as mudanças climáticas significa colocar em risco nossa própria existência”

Segundo a estudante, os ativistas esperam que o documento enviado para Biden sirva para que os líderes globais “não façam nenhum acordo com o atual governo que venha a explorar biodiversidade do Brasil”.

O presidente dos Estados Unidos não respondeu a carta até a data da publicação desta matéria.

Ativismo na Paraíba

Sobre o ativismo na Paraíba, Mikaelle acredita que “falta educação ambiental não só nas escolas, mas também na sociedade”. Ela explica: “As pessoas precisam entender um pouco mais sobre a atual realidade que vivemos aqui. O Nordeste não tem só escassez de água, existem vários outros fatores que intensificam as secas e desretificação na nossa região. Os desmatamentos ilegais que acontecem na Caatinga e Mata Atlântica são fatores que contribuem muito pra isso e que as vezes acabam passando despercebido”.

Mikaelle durante protesto no Parque da Lagoa, em João Pessoa (Foto: Arquivo Pessoal)

Mikaelle destaca que os problemas ambientais serão intensificados em um futuro breve e que medidas concretas que contenham a crise ambiental são urgentes e necessárias. “O tempo da natureza se torna muito curto quando a prejudicamos. Precisamos de mais ações para reverter tudo isso", garante.

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