Brasil

Azitromicina é ineficaz para tratamento da Covid-19, diz nova pesquisa

Estudo foi realizado por médicos de seis grandes hospitais e instituições brasileiras com pacientes graves da doença

Publicado em 06/09/2020 07:32 Atualizado em 18/11/2020 21:07
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Por Redação Portal T5

Uma nova pesquisa brasileira concluiu que o antibiótico Azitromicina não tem eficácia no tratamento de pacientes graves da Covid-19. (veja o vídeo com as informações ao fim da matéria)

O estudo, desenvolvido por médicos de 6 grandes hospitais privados e institutos brasileiros, foi publicado na revista científica 'The Lancet', uma das mais renomadas do mundo.

Seguindo padrões internacionais, os pesquisadores avaliaram 447 pacientes de 57 hospitais da rede pública e privada de todas as regiões do país. Destes, 214 foram medicados com o antibiótico.

"O que a gente viu nesse estudo é que a Azitromicina não acelerou, não melhorou a evolução clínica dessas pessoas, ou seja, o percentual de pessoas que permaneciam em ventilação mecânica, o percentual de pessoas que morreram, o percentual de pessoas que ficou internada, mas com uma doença leve, o percentual de pessoas que foi para casa sem nenhuma limitação, ficou igual, em 15 dias, nos dois grupos. Infelizmente, a Azitromicina não reduziu a mortalidade dessas pessoas, as chances da pessoa, infelizmente, vir a falecer, foi igual com Azitromicina e sem Azitromicina", explicou o diretor de pesquisa do Hospital Albert Einstein, Otávio Berwanger.

O especialista lembra ainda que, até agora, a Azitromicina foi um dos antibióticos mais usados em todo o mundo, no tratamento de pacientes graves da Covid-19. Por isso, ressalta que o estudo brasileiro é importante não só para mudança de protocolos clínicos, mas também para a saúde pública.

"Azitromicina é a segunda droga mais prescrita no Brasil e no mundo para tratar esses pacientes, então é muito utilizado. E ao utilizar isso, obviamente, nós estamos consumindo o recurso de saúde, e a gente sabe que que ela tem outras aplicações para infecções bacterianas. Então, se a gente começa a usar de forma indiscriminada, a gente pode estar contribuindo também negativamente para resistência bacteriana e aumento até de infecções secundárias", conclui o médico Otávio Berwanger.

SBT

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