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Após caso em MG, jovem é filmado usando suástica em shopping de Curitiba

Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos que utilizem a cruz suástica ou gamada para fins de divulgação do nazismo é crime, de acordo com o artigo 20 da Lei nº 7.716, de 1989

Publicado em 19/12/2019 19:54 Atualizado em 27/11/2020 02:48
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Por Redação Portal T5
Após caso em MG, jovem é filmado usando suástica em shopping de Curitiba

Foto: Reprodução/ Facebook

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Em um segundo caso registrado em poucos dias, a divulgação de uma imagem de um jovem usando um bracelete com uma suástica em uma praça de alimentação de um shopping de Curitiba causou revolta nas redes sociais.

A foto foi compartilhada pela página no Facebook Plataforma Antifascista na manhã desta quinta-feira (19) e já possui milhares de reações e compartilhamentos. O rosto do jovem foi desfocado. O desenho e a faixa aparentemente foram improvisados.

A página informou que se trata de um estudante universitário de Curitiba, mas não repassou maiores detalhes.

Procurada pela reportagem, disse que o autor da foto preferiu não se identificar e que também há um vídeo da ação, que não poderia ser repassado.

De tarde, a mesma página compartilhou outra foto em que dois jovens aparecem fazendo um cumprimento nazista em frente a uma pichação com as inscrições "fogo nos nazi".

Segundo a postagem, a foto foi recebida em novembro pela página e tirada em frente a um dos prédios da Universidade Federal do Paraná. "Existe a real possibilidade de este garoto da esquerda ser o mesmo da imagem que publicamos", escreveu o administrador.

Procurada, a assessoria do Jockey Plaza confirmou o caso, mas informou que as imagens do departamento de segurança mostram que o jovem não circulou pelas dependências do shopping com o símbolo.

Ainda segundo a assessoria, o jovem teria desenhado o símbolo e o utilizando rapidamente para a fotografia, que teria sido combinada com quem a tirou.

O espaço afirmou ainda que está à disposição dos órgãos oficiais, tendo em vista que o ocorrido trata-se de crime previsto por Lei.

"O Jockey Plaza Shopping informa que não compactua de forma alguma com nenhum tipo de apologia, preconceito ou incitação à violência", completa a nota.

A Secretaria de Segurança do Paraná informou que, até o momento, não houve registro de ocorrência sobre o caso.

O artigo 20 da Lei nº 7.716, de 1989, diz que é proibido “fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo”. A pena é de dois a cinco anos de prisão e multa.

REPETIÇÃO

No sábado (14), um homem foi fotografado em um bar, à noite, também usando uma suástica no braço, em Unaí (MG), a 600 km de Belo Horizonte. Na quarta-feira (18), ele foi indiciado por discriminação racial, crime com pena prevista de dois a cinco anos de prisão e multa.

O indiciamento veio com a conclusão do inquérito aberto na segunda-feira (16), depois que imagens do homem em um bar da cidade começaram a circular nas redes sociais. 

 A Polícia Civil ouviu como testemunhas pessoas que estavam no local. A Polícia Militar chegou a ser acionada e esteve no bar na noite do fato, mas registrou apenas boletim de ocorrência interno, que é encaminhado ao comando da unidade. Um procedimento administrativo apura a conduta dos PMs.

O homem, que tem 59 anos segundo a polícia, prestou depoimento na terça-feira e alegou sofrer de depressão e ansiedade. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido na casa e na fazenda dele, mas nenhum material de ideologia nazista foi encontrado. 

Ele alegou em depoimento que em pesquisas feitas na internet descobriu que a suástica era um amuleto de sorte antes de ser usada pelo Partido Nazista da Alemanha.

Uma perícia realizada pela polícia no telefone celular dele mostrou que o homem visitou 35 sites diferentes. 

Segundo o delegado Leandro Coccetrone, isso levou à conclusão de que ele teria consciência da ligação do símbolo com a ideologia que assassinou milhões de judeus, além de ciganos, eslavos, socialistas e LGBTs, entre outros, na primeira metade do século 20.

A reportagem não conseguiu contato com o homem ou com a defesa dele até a publicação deste texto.

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