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Política

Deputada paraibana polemiza sobre transexuais no esporte: "É honesto?"

A parlamentar chegou a usar um 'FakeNews' para embasar o questionamento

Por Carlos Rocha

05h30 - Atualizado 16/02/2018 às 23h58

A então Deputada Estadual pelo PSDB-PB, Eliza Virgínia, voltou a colocar o tema sexualidade em pauta. Desta vez, a parlamentar usou seu perfil nas redes sociais, com posts patrocinados inclusive, para perguntar se seus seguidores concordavam com a presença de transexuais no esporte, disputando com pessoas não trans. O vídeo, que tem a duração de um minuto, foi publicado em 4 de fevereiro, mas ganhou mais repercussão nos últimos dias.

No vídeo, a Deputada cita um caso polêmico, envolvendo a contratação da jogadora de vôlei Tifanny, pelo Bauru. A jogadora nasceu biologicamente do sexo masculino, no entanto, como se identifica com o gênero feminino, fez a cirurgia de readequação sexual. Mesmo assim, muitos criticaram a presença da atleta na liga feminina de vôlei, inclusive nomes conhecidos no esporte, como a bicampeã olímpica Sheilla.

"Vou deixar uma pergunta no ar, registra nos comentários, vocês concordam com transexuais fazerem parte de times femininos? Homens em times de vôlei, de futebol, lutando contra outras meninas? Vamos supor, um time com 3 ou 4 transexuais fazendo parte de um campeonato feminino e o outro time todas elas mulheres? Um transexual que era homem e virou mulher fazendo parte de uma luta de MMA", questionou.

Outra informação citada pela paraibana para embasar seu questionamento, foi o caso de uma lutadora de MMA, também transexual, que teria causado traumatismo craniano em sua oponente. O caso teria acontecido na Malásia. No entanto, de acordo com o site E-farsas, a informação, que se espalhou nas redes sociais em janeiro de 2018, não passa de um FakeNews (Notícia Falsa).

"Teve uma agora inclusive que ele bateu tanto na menina que deu traumatismo craniano. Será que aquela história de homem bater em mulher ainda tá lá dentro do seu coraçãozinho, né? E ele está se aproveitando do esporte para fazer isso?", continuou os questionamentos.

A partir da indagação da Deputada, muitos internautas se manifestaram sobre o caso, uns a favor, outros contra a participação de pessoas trans em esportes, competindo com pessoas não trans, fazendo a publicação repercutir ainda mais.


Um outro olhar

Um outro post sobre o assunto que ganhou grandes proporções de propagação, foi o publicado pela página "Quebrando o Tabu". O vídeo foi feito pelo jovem Vitor Dicastro, que abordou o tema citando o caso apenas de Tiffany e dando uma breve explicação sobre o que são pessoas trans.

"Uma jogadora de vôlei chamada Tiffany Abreu foi contratada, no ano passado, pelo Bauru para jogar na Superliga Brasileira de Vôlei Feminino. Uma galera começou a criticar o fato dela estar lá, por ela ser uma jogadora trans. Ser trans é quando você não se identifica com seu gênero de nascença, com seu sexo biológico, e você tem a possibilidade, a partir do momento que você não se identifica, de começar a transição de gênero. Até fazer uma cirurgia, que a gente chama de redesignação sexual, que a gente chamava antigamente de cirurgia de mudança de sexo. Ela já fez a cirurgia de redesignação sexual e já fez a transição de gênero. A Tiffany não é um homem competindo com outras mulheres, Tiffany é uma mulher, e mulheres jogam na liga feminina. Essas polêmicas acontecem porque ela joga com mulheres sys. Mulheres sys são aquelas mulheres que, desde sempre, se identificam com o gênero de nascença, ela tem o gênero feminino e se identifica com o gênero feminino, portanto, ela é uma mulher cisgênero. Quando A Tiffany começou a jogar, começou a quebrar alguns recordes, no vôlei feminino, por conta disso, as críticas começaram a aumentar. A grande questão que essas pessoas estão levantando é que a Tiffany cresceu com gênero masculino, mesmo se identificando com gênero feminino, então, desde a puberdade o corpo dela sempre produziu um número muito alto de testosterona. Será que a Tiffany não continua com tudo isso no corpo? E com isso será que ela não tem alguma vantagem sobre as outras mulheres? Apesar das críticas, a contratação da Tiffany pelo Bauru foi autorizada pelo comitê esportivo Internacional. E a gente precisa saber que tudo isso é decidido pela medicina e pelos médicos deste comitê. São os médicos que vão decidir o futuro da Tiffany nessa liga. O Comitê Esportivo Internacional exige que as atletas mulheres transexuais, para competirem com mulheres cisgênero, passem, por um ano, pela terapia hormonal, para que eles tenham a certeza que no sangue dela só tem uma quantidade mínima de testosterona, similar à quantidade encontrada no sangue de qualquer mulher. Esse Tratamento hormonal faz com que a mulher trans perca massa muscular, densidade óssea, agilidade, velocidade e perde força. O corpo da Tiffany é como se fosse um carro muito grande com um motor muito pequeno, então ela precisa se esforçar muito mais para conseguir tudo o que ela tem", relatou o jovem no vídeo.

Veja: