quinta-feira, 21 de novembro de 2019
Busca

Portal T5

Operação Xeque-Mate

Justiça retoma interrogatórios de processo da ‘Operação Xeque-Mate’ nesta terça (9)

As sessões acontecem desde o dia 27 de junho no Fórum local.

Por Redação Portal T5

06h35
Juiz Henrique Jorge Jácome de Figueiredo, da 1ª Vara da Comarca de Cabedelo
Juiz Henrique Jorge Jácome de Figueiredo, da 1ª Vara da Comarca de Cabedelo Foto: Divulgação/TJPB

A partir da manhã desta terça-feira (9) será dada continuidade a sessão de interrogatórios do processo principal da ‘Operação Xeque-Mate’. Nas últimas audiências, o juiz Henrique Jorge Jácome de Figueiredo, da 1ª Vara da Comarca de Cabedelo, interrogou dois réus e cinco delatores.

As sessões acontecem desde o dia 27 de junho no Fórum local. De acordo com o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), já foram interrogados os réus Inaldo Figueiredo da Silva (funcionário da Prefeitura de Cabedelo) e Marcos Antônio Silva dos Santos, mais conhecido como ‘Marcos da Forte’ (empresário do ramo de segurança).

Leto Viana é ouvido sobre cartas-renúncia em audiência

Ainda faltam ser interrogados sete réus, dentre eles, o ex-prefeito de Cabedelo, Leto Viana, e eventuais testemunhas que podem ser apresentadas pela defesa. “Como a defesa teve acesso ao conteúdo dos depoimentos dos delatores, eu concedi um prazo de três dias para apresentação de possíveis testemunhas e memoriais”, disse o juiz Henrique Jácome. Ele informou, também, que a audiência transcorreu dentro da normalidade, apesar de cansativa e complexa.

Dos denunciados neste processo, respondem à ação penal em liberdade os réus Marcos Antônio Silva dos Santos, Leila Maria Viana do Amaral, Jaqueline Monteiro Franca (ex-presidente da Câmara dos Vereadores e esposa de Leto Viana) e Adeildo Bezerra Duarte Figueiredo da Silva. Já os réus Wellington Viana França (Leto Viana, ex-prefeito de Cabedelo), Antônio Bezerra do Vale Filho, Lúcio José do Nascimento Araújo, Tércio de Figueiredo Dornelas Filho e Inaldo Figueiredo da Silva estão presos.

O primeiro colaborador a depor foi o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal, Lucas Santino da Silva, que revelou em detalhes o esquema criminoso e afirmou que o ex-prefeito Leto Viana comandava a organização criminosa. Ao ser indagado pelos representantes do Ministério Público se ele fazia parte de uma organização criminosa, respondeu categoricamente que sim.

“O ex-prefeito liderava essa quadrilha. Ele fazia um levantamento de quem poderia vencer como vereador e investia na campanha dessas pessoas, mas exigia a assinatura de uma carta renúncia. Assim, em caso de vitória, Leto Viana tinha o poder de barganha na Câmara dos Vereadores e na Prefeitura Municipal”, revelou Lucas Santino. Ele disse, ainda, que o investimento em algumas campanhas para vereador de Cabedelo ultrapassava um milhão de reais.

Na sessão do dia 1º de julho, também foram ouvidos os colaboradores José Ediglei Ramalho, Rosildo Pereira de Araújo Júnior (vereador), Olívio Oliveira dos Santos (ex-secretário de Comunicação da Prefeitura de Cabedelo) e Gleuryston Vasconcelos Bezerra Filho (ex-assessor de vereador). Todos são réus em outros processos criminais da mesma ‘Operação Xeque-Mate’.

A audiência de instrução e julgamento teve início no fim do mês passado e foi interrompida depois da oitiva de cinco testemunhas do Ministério Público e 13 testemunhas da defesa. As demais testemunhas foram dispensadas, tanto pela acusação quanto pela defesa.  Conforme o magistrado, mais cinco denúncias oferecidas pelo Ministério Público na ‘Operação Xeque-Mate já foram recebidas pela Justiça.

Denúncia - Os acusados, segundo as denúncias, integravam uma organização criminosa no Município de Cabedelo que teria sido responsável por vários episódios criminosos, dentre eles a compra e venda do mandato do ex-prefeito José Maria de Lucena Filho (Luceninha) e a sua consequente renúncia ao cargo; irregularidades na Prefeitura e na Câmara de Vereadores, com contratação de servidores fantasmas; e esquema de recebimento de dinheiro desviado do salário dos servidores municipais.

Constam ainda nas acusações outras irregularidades, como o financiamento de campanha de vereadores; atos de corrupção envolvendo a avaliação, doação e permuta de terrenos pertencentes ao erário municipal, que beneficiava diversas empresas, bem como ações ilícitas para impedir a construção do Shopping Pátio Intermares, com a distribuição de valores ilícitos para vereadores, com atuação pessoal de Leto Viana.