Paraíba, sábado, 20 de julho de 2019
30° C
Busca

Portal T5

Operação Xeque-Mate

Entenda tudo sobre a prisão de Roberto Santiago na 3ª fase da Operação Xeque-Mate

Empresário está preso no 1º Batalhão da PM, em João Pessoa, acusado de fraudes em contratos licitatórios na gestão de Cabedelo

Por Vitor Feitosa

18h32 - Atualizado 22/03/2019 às 22h50
Agentes cumprem mandado de busca e apreensão na casa de Roberto Santiago
Agentes cumprem mandado de busca e apreensão na casa de Roberto Santiago Foto: Ewerton Correia/RTC

A Polícia Federal e o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba (MPPB) cumpriram nesta sexta-feira (22), em João Pessoa, vários mandados de busca e apreensão de bens e documentos, além da prisão do empresário Roberto Santiago, na terceira fase da Operação Xeque-Mate.

Roberto Santiago é um das personalidades mais conhecidas no meio empresarial da capital paraibana, proprietário de uma rede de shopping centers com os dois maiores centros de compra da cidade: o Manaíra Shopping e o Mangabeira Shopping.

Ele foi detido em sua mansão no bairro do Bessa, nas primeiras horas da manhã. Agentes da PF e do Gaeco chegaram ao local para levá-lo, assim como recolher documentos. Buscas também foram feitas no escritório do empresário, localizado em Manaíra.

Na operação, o Gaeco e a PF também cumpriram mandados de busca e apreensão na residência de Lavanério Queiroz Duarte Júnior, Severino Medeiros Ramos Filho, Mykel Alexandre Filgueira, Mário Sérgio Lopez, Fabrício Magno de Melo Silva e Cláudio Monteiro Costa, além da sede da empresa Light Engenharia, em Campina Grande.

Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal de Justiça Estadual de Cabedelo, e além da Paraíba, foram cumpridos em duas cidades do Rio Grande do Norte - Parnamirim e Mossoró.

Polícia Federal concede coletiva de imprensa sobre o caso
Polícia Federal concede coletiva de imprensa sobre o caso Foto: Thaís Alencar/RTC

Por que Roberto Santiago foi preso?

De acordo com a Polícia Federal e o MPPB, Roberto Santiago é apontado como membro do “núcleo financeiro” da organização criminosa que operava desvios de verba pública no município de Cabedelo, na Grande João Pessoa.

O empresário é acusado, por exemplo, de comprar em 2013 o mandato do então prefeito de Cabedelo, Luceninha, que renunciou ao cargo. Quem naturalmente assumiu na ocasião foi Leto Viana, então vice-prefeito.

Leto continuou no comando da prefeitura até 2016, quando se candidatou à reeleição e foi escolhido pela população para ficar à frente da administração da cidade por mais quatro anos.

Porém, em abril de 2018 a primeira fase da Xeque-Mate foi deflagrada. A partir dela, ele acabou preso, sendo apontado como líder da tal organização criminosa que dominava o município. Vice-prefeito, presidente da Câmara Municipal e outros diversos vereadores que tinham mandato na época também acabaram presos.

Acredita-se que uma das intenções de Roberto Santiago ao envolver-se com o grupo criminoso, inclusive com a suposta compra de parlamentares do município, seria barrar a construção de um shopping center na cidade, cujo projeto de para autorização circulava na Câmara.

Coletiva de imprensa detalha o caso

Em coletiva de imprensa realizada no final da manhã desta sexta na Superintendência da Polícia Federal, em Cabedelo, a PF e o Gaeco deram detalhes sobre a terceira fase da Operação Xeque-Mate e a prisão de Roberto Santiago.

Segundo delegados e promotores que coordenaram a operação, a ação realizada durante o dia é, como já se sabe, apenas um desdobramento da operação que começou no ano passado, e tem relação com mais uma denúncia de corrupção envolvendo o nome do empresário

“A gente tem que lembrar que ele já foi objeto de duas denúncias. Então aqui é apenas o desdobramento de uma operação que iniciou no ano passado. Seguindo as investigações feitas pela PF, já se contabilizam hoje quatro denúncias, e essa muito provavelmente será a quinta. Ele faz parte do núcleo financeiro de uma organização criminosa que existia até então na cidade de Cabedelo”, explicou o promotor Rafael Linhares, do MPPB.

Segundo Linhares, a última denúncia à qual fez referência comprova que Roberto Santiago negociava contratos ilícitos em processos licitatórios na Prefeitura de Cabedelo, controlando a empresa vencedora. Conforme as investigações, os valores envolvidos nos contratos superam os R$ 42 milhões.

Roberto Santiago
Roberto Santiago Foto: Divulgação / TJPB

Prisão no 1º Batalhão de Polícia Militar

Ainda no início da tarde, Roberto Santiago passou por audiência de custódia no Fórum Criminal de João Pessoa, na região central da cidade. Na sessão, o juiz da 2ª Vara da Comarca de Cabedelo Henrique Jorge Jácome não fez perguntas relacionadas aos fatos que são objeto das investigações ou com finalidade de produzir prova, e ao final, manteve a prisão preventiva do empresário.

Em seguida, após ouvir o representante do Ministério Público e o advogado de defesa, o juiz decidiu encaminhá-lo para o 1º Batalhão da Polícia Militar da Paraíba (1º BPM), também localizado no Centro da capital.

“Mesmo não possuindo curso superior, foi acordado que, por uma questão de organização prisional e segurança, encaminhar o custodiado para um dos Batalhões da Polícia Militar”, explicou Henrique Jácome.

Roberto Santiago está proibido de receber a visita de qualquer pessoa, exceto familiares de primeiro e segundo graus e dos advogados de defesa. Todas as penas somadas podem chegar a 30 anos de reclusão.

Para acessar todas as matérias relacionadas à ação desta sexta-feira, confira nossa editoria especial sobre a Operação Xeque-Mate.