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Operação Escoliose

Entenda como médico, advogados e empresas causavam prejuízo aos cofres públicos

Operação Escoliose investiga como grupo movimentou R$ 7 milhões em próteses superfaturadas

Por Juliana Alves Publicado em
Médico, advogadas e empresas são investigadas
Médico, advogadas e empresas são investigadas (Foto: Reprodução/MPRN)

Um esquema de cartel para realização de cirurgias ortopédicas no Nordeste foi alvo de uma operação deflagrada na manhã desta quarta-feira (26). A investigação apura a judicialização de cirurgias emergenciais com superfaturamento no fornecimento do material. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão na Paraíba, Rio Grande do Norte e em Pernambuco.

As investigações contra o grupo criminoso, que incluía duas advogadas, um médico e várias empresas, foram iniciadas em 2019. De acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), a organização criminosa criava, através de articulação ilícita, demandas judiciais com o direcionamento de cirurgias emergenciais de escoliose. Na judicialização, eles obtinham vantagem econômica fraudulenta por meio do superfaturamento no fornecimento de órteses, próteses e materiais especiais (OPME) para realização de procedimentos cirúrgicos.

Segundo o Ministério Público, as duas advogadas ingressaram com pelo menos 46 processos judiciais, entre ações com pedido liminar e mandados de segurança. Essas ações somaram mais de R$ 7 milhões pagos pelo Estado do Rio Grande do Norte para custeio das cirurgias ortopédicas. Desses 46 processos, 42 cirurgias foram realizadas pela clínica de propriedade do médico investigado.

Acordo entre empresas

A investigação também apurou que os orçamentos de materiais eram feitos de maneira acordada entre as empresas indicadas pelas advogadas. Essas empresas deveriam ser concorrentes, mas terminavam por preestabelecer, entre elas, quem seria beneficiada com a contratação determinada judicialmente, forjando uma pesquisa de preços de mercado. Empresas do mesmo grupo, inclusive, elaboravam mais de um orçamento com valores de “cobertura”, possibilitando o direcionamento e a cobrança de um valor exorbitante.

As empresas seguiam rodízio entre elas para determinar qual iria fornecer os materiais necessários para as cirurgias. Entre as empresas investigadas, foi constatado que várias fazem parte de um grupo que compartilha em seus quadros diversos sócios em comum. A maior parte dos sócios também possui vínculos familiares entre si, além de terem participação em mais de uma das empresas citadas, de forma cruzada.

Investigados

Pelo menos 21 sócios e funcionários das empresas fornecedoras de órteses, próteses e materiais especiais são investigados por obterem vantagem ilícita em prejuízo do estado do Rio Grande do Norte. Contas bancárias, imóveis e veículos dos envolvidos no esquema foram bloqueados pela Justiça.

Os investigados poderão responder por infrações contra a ordem econômica previstas na Lei de Defesa da Concorrência, crimes contra a ordem econômica, organização criminosa e outros delitos que eventualmente forem constatados no curso da investigação.

A pena

Caso sejam condenadas administrativamente, as empresas deverão pagar multa que pode alcançar até 20% de seu faturamento no ano anterior ao de instauração do processo no ramo de atividade afetado pelo cartel, além das pessoas físicas que podem ser punidas em até 20% do valor das penas aplicadas às empresas.

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