terça-feira, 02 de junho de 2020
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Pandemia da Covid-19 afeta mais as mulheres, afirmam pesquisadoras da UFPB

Grupo social é mais vulnerável ao desemprego e à violência doméstica

Por Carlos Rocha

18h30 - Atualizado 23/05/2020 às 21h40

A pandemia de Covid-19 afeta mais as mulheres, grupo social mais vulnerável ao desemprego e pelo aumento da violência doméstica, segundo pesquisadoras da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). As integrantes do Grupo de Estudos e Pesquisas em Economia Política e Trabalho (Gepet) discutirão o assunto durante live nesta sexta-feira (22), a partir das 18h30, através do perfil do coletivo no Instagram.

De acordo com a professora Cláudia Costa Gomes, o intuito da ação é colaborar com o debate sobre a condição das mulheres na conjuntura causada pela pandemia, analisando as suas condições de trabalho em meio à crise e à violência sofrida por elas.

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As debatedoras serão as pesquisadoras Leidiane Oliveira, professora do Departamento de Serviço Social da UFPB, e Emanuelle Galdino, técnica da Gerência Operacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, da Secretaria da Mulher e da Diversidade Humana da Paraíba.

Entre os principais dados que serão debatidos durante a transmissão ao vivo, estão as jornadas de trabalho extensas, marcadas pela divisão sexual do trabalho, e a inserção das mulheres no trabalho enquanto profissional de saúde.

As pesquisadoras analisarão dados do relatório "Mulheres no centro da luta contra a crise Covid-19", divulgado no final de março pela ONU Mulheres, entidade da Organização das Nações Unidas para igualdade de gênero e empoderamento. Dados nacionais e regionais, como os da Secretaria de Segurança e da Defesa Social da Paraíba, também fundamentarão o debate.

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A professora Leidiane Oliveira ressalta que, segundo os dados da ONU Mulheres e do Conselho Federal de Enfermagem, no Brasil, 85% dos trabalhadores de enfermagem são mulheres. Elas também são 45,6% da categoria dos médicos.

Além disso, 85% dos cuidadores de idosos são mulheres. “As mulheres também são maioria no trabalho informal, desprotegidas de direitos trabalhistas e impossibilitadas de ficar em quarentena pela necessidade de continuar trabalhando”.

Com as escolas com atividades presenciais suspensas, as mulheres estão tendo que se dedicar mais às crianças, aumentando, assim, a jornada de trabalho, que já era intensa. “Geralmente, são elas quem assumem o trabalho de casa e, por vezes, o trabalho de fora, o que soma a chamada dupla jornada, que agora praticamente se tornou uma tripla jornada em função dessas novas demandas no âmbito familiar”, diz a professora Leidiane.

A pesquisadora destaca, ainda, que, conforme dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, as ligações para a Central de Atendimento à Mulher pelo Ligue 180, relativas à violência doméstica, estão aumentando durante a pandemia.

Em abril, foi registrado o aumento de 35% no número de denúncias de violência contra as mulheres. Emanuelle Galdino vai discutir dados da Paraíba sobre violência doméstica e feminicídio.

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