segunda-feira, 30 de março de 2020
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Em crise, venezuelanos refugiados pedem socorro em João Pessoa

Famílias foram encontradas em situação de vulnerabilidade em um bairro de João Pessoa

Por Dennison Vasconcelos

11h27 - Atualizado 12/02/2020 às 20h34
Cerca de 50 refugiados foram encontrados em situação de vulnerabilidade em uma vila de João Pessoa
Cerca de 50 refugiados foram encontrados em situação de vulnerabilidade em uma vila de João Pessoa Foto: Dennison Vasconcelos/RTC

Fugindo do desequilíbrio de um colapso econômico, com a maior crise política e social da Venezuela, refugiados não encontram conforto no Brasil. Famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica foram encontradas doentes em consequência da pobreza e da fome, nessa terça-feira (11), em uma comunidade de João Pessoa.

Em uma vila do bairro do Roger, cerca de 50 pessoas foram socorridas por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Secretaria de Saúde e Conselho Tutelar. Segundo moradores vizinhos, há menos de cinco dias, o último grupo chegou à cidade com sinais de doença.

Cerca de oito ambulâncias do Samu fizeram o atendimento a crianças e adultos refugiados da Venezuela em João Pessoa
Cerca de oito ambulâncias do Samu fizeram o atendimento a crianças e adultos refugiados da Venezuela em João Pessoa Foto: Dennison Vasconcelos/RTC

Um dos médicos do Samu informou que aproximadamente 15 crianças foram identificadas doentes por causa de grave desnutrição, com diarreia e pneumonia. Oito ambulâncias foram utilizadas para atendimento e remoção dos doentes entre a tarde dessa terça e a manhã desta quarta-feira (12).

Um recém-nascido foi internado na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Municipal Valentina, onde uma enfermaria foi separada para receber os pacientes. "São crianças que ficaram muitos dias sem comer e estão extremamente desnutridas, caquéticas, com estado bem debilitado", disse Luís Renato, médico do Samu.

Apesar de alguns adultos também apresentarem doença, eles preferem não ser removidos, segundo a equipe médica. "Por medo, está havendo muita resistência para o atendimento, conforme o idioma e cultura", explicou o médico.

Criança recém-nascidas estava deitada em colchão, em um dos quartos de uma casa da vila, no Roger
Criança recém-nascidas estava deitada em colchão, em um dos quartos de uma casa da vila, no Roger Foto: Dennison Vasconcelos/RTC

Em uma das casas visitadas pela reportagem do Portal T5, alimentos estavam misturados com fezes, roupas sujas espalhadas pelo chão, com acúmulo de sujeira e forte odor. A criança com menos de um ano socorrida pelo Samu para para UTI foi encontrada por uma equipe do Samu deitada em um colchão no piso de um quarto, sem iluminação e ventilação. Uma placa de isopor com pedido de ajuda estava em outro cômodo da residência. 

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) estima que mais de 500 pessoas vindas da Venezuela estão na capital paraibana desde o fim do ano passado.

De acordo com Ana Giovana Medeiros, secretária adjunta da SMS, os cuidados com os pacientes vão além da atenção primária. "Algumas pessoas foram hospitalizadas e estamos controlando a situação para dar toda a assistência possível", disse.

O começo - Em 2018, o Portal T5 acompanhou a chegada dos refugiados da Venezuela em uma comunidade na cidade de Conde, no Litoral Sul paraibano. Veja na reportagem: Nova página: refugiados da Venezuela buscam recomeço na Paraíba