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Amigos e familiares organizam festa de 15 anos para paciente do HU, em João Pessoa

Diagnosticada com uma doença degenerativa, adolescente está internada há cinco anos no Hospital Universitário

Por Carlos Rocha

16h28

Entre soros e equipamentos médicos, um sopro colorido de vida. A equipe de Saúde multidisciplinar do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW-UFPB), da Universidade Federal da Paraíba, realizou o sonho de uma adolescente internada há cinco anos no hospital, organizando uma festa de aniversário para comemorar os 15 anos da paciente Natanielly Martins.

O evento contou com decoração e sonorização especial e personagens da história de Cinderela, o tema da festa escolhido pela aniversariante. Amigos, familiares e outros pacientes da ala Pediátrica do hospital se reuniram durante a tarde do dia 13 de junho, três dias após a data que marca o nascimento da garota. Toda a organização do evento demandou três meses de trabalho.

A ação de humanização envolveu vários profissionais e também contou com o apoio essencial de diversos parceiros, que colaboraram com decoração, lembrancinhas, equipamentos eletrônicos e muitas guloseimas. A festa foi grandiosa. Teve bolo confeitado de quatro andares, adornos em forma de carruagem, balões nas cores azul e branco, pipoca, algodão-doce, rosas, docinhos diet (encomendados a partir de uma “vaquinha” feita entre colaboradores da Pediatria) e toda aquela expectativa que é comum numa festa de debutantes.

Afinal, Naty, como é chamada carinhosamente pelos amigos, tem uma distrofia muscular que a impede de respirar sem ajuda de aparelhos, utiliza cadeira de rodas, mas não deixa que a vida no leito de um hospital tolha seus anseios de adolescente.

Vaidosa, a menina-moça ganhou traje e maquiagem caprichados para a data. Brincou com a atriz que interpretou a personagem Cinderela em uma encenação para todo o público, sorriu e bailou com o príncipe, na tradicional valsa de 15 anos, e também caiu na dança, num ambiente com lâmpadas estroboscópicas (aquelas conhecidas luzes de boate), especialmente preparado para festejar a paciente.

A todo momento, algum profissional da equipe de saúde multidisciplinar estava ao lado de Naty, assegurando que seus equipamentos estavam ligados e verificando se a adolescente estava bem ou precisava de algum atendimento específico. No olhar dessa paciente tão especial, havia um misto de gratidão e alegria.

“Eu sabia que iriam fazer uma festa para mim, mas não imaginava que seria tão especial, que seria desse jeito”, comentou, ao ser entrevistada por jornalistas.

Sim, a história de Natanielly chama a atenção não apenas pela iniciativa do Hospital Universitário em lhe propiciar um atendimento humanizado, mas também porque a adolescente é um exemplo de vida e superação. Amigas de internação também ficaram encantadas com o evento, como é o caso da paciente Edlayne da Silva, 12 anos, natural de Cruz do Espírito Santo. “Eu achei tudo muito legal. Acho que Naty se divertiu bastante e até ficou emocionada. Ela é um exemplo de pessoa”.

A fisioterapeuta Eliza Juliano Eulálio explicou que Natanielly tem uma doença degenerativa ainda não esclarecida, que compromete os movimentos. Fora isso, ela é uma adolescente típica: tem sonhos, hormônios à flor da pele, adora ver filmes e também gosta de ler.

“Encontramos várias pessoas que se uniram para esse propósito, de realizar o sonho de Naty de teruma festa de 15 anos. Com isso, trazemos qualidade de vida para ela e transformamos também nossa visão do cuidar, porque a gente não cuida só do paciente doente. A gente cuida pela qualidade de vida, pelo sonho, pela alegria”, afirmou.

Falando em bem-estar e qualidade de vida, um aspecto essencial no cuidado dos pacientes e que também serviu de motivação para a realização do “Sonho de Naty” foi a questão psicológica. “O tempo de internação dela no hospital propicia o surgimento de problemas psicológicos, e o humor dela já é bem instável. Essas ocasiões de festejo, como o aniversário dela, favorecem o cuidar saudável e isso também funciona como prevenção ao adoecimento”, comentou a psicóloga Camila Batista, ressaltando a importância de atividades que propiciem a humanização do ambiente hospitalar.