sexta-feira, 15 de novembro de 2019
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"Eternos namorados": conheça Izabel, paraibana com Alzheimer​ que não esqueceu o companheiro

O marido reage a todo esse carinho com poesias escritas por ele mesmo

Por Carlos Rocha

15h57 - Atualizado 11/06/2019 às 16h19

O sonho de vida de boa parte das pessoas é encontrar um grande amor. Um amor que seja mais forte que os problemas, que a dor, que as brigas, que seja capaz de ultrapassar barreiras impostas pelo tempo. Encontramos na cidade de Ouro Velho, no interior da Paraíba, um casal que pode ser usado como exemplo de um amor que nem as marcas do tempo consegue enfraquecer. Dona Izabel e Seu João Miúdo.

Dona Izabel Cassiano, de 89 anos, foi diagnosticada com Alzheimer há 8, e mesmo com as manifestações da doença, ela não esquece do grande amor da sua vida, João Antônio de Sousa, ou simplesmente João Miúdo, que está com 88 anos. O casal está perto de completar 64 anos de união, mas mesmo com todo esse tempo junto, mostra que o amor deles segue se fortalecendo. "Lá vem o amor da minha vida", diz dona Izabel ao avistar Seu João Voltando da roça. Ele, por sua vez, retribui com muito carinho em forma de poesia.

"Cadê o João? Eu quero vê-lo. Eu tô com saudades dele!"

Dona Izabel Cassiano
Foto: Arquivo Pessoal

Edjunior Cassiano, de 25 anos, neto do casal, contou um pouco da história dos dois, em conversa com o Portal T5. De acordo com o relato de Edjunior, o avô é natural da cidade de Brejo da Madre de Deus, em Pernambuco, e ainda muito jovem se mudou a trabalho para Ouro Velho, já na Paraíba, onde conheceu Izabel. Começava ali uma grande história de amor.

Seu João Miúdo e dona Izabel se casaram e tiveram três filhos: Cida, Coca e Inacinho. Sempre viveram uma vida simples, mas com constantes demonstrações de amor. Desde muito jovem, Seu João escrevia poesias para a amada, e essa prática ainda hoje acontece. Eles construíram uma vida trabalhando como agricultores. Até hoje Seu João trabalha na roça e mesmo assim encontra tempo para dar carinho à esposa.

Entre as poesias mais recentes que Seu João fez para dona Izabel, ele diz: "És uma boa companheira. Estou bem acompanhado. Dia e noite do seu lado. Assim vivo a vida inteira. Sempre acontece bobeira. Mas esqueço bem ligeiro. Se não sou bom companheiro. Peço pra me perdoar. Não sei como irei ficar. Se você sair primeiro" (João Miúdo).

"És uma boa companheira. Estou bem acompanhado. Dia e noite do seu lado. Assim vivo a vida inteira"

João Miúdo
Foto: Arquivo Pessoal

O diagnóstico de Alzheimer veio há cerca de 8 anos. Segundo o neto, a família começou a notar um comportamento diferente em dona Izabel.

"Começamos a ver algumas diferenças nela. Foi quando levamos ao médico, que realizou enxames e foi diagnosticado Alzheimer"

A partir do diagnóstico, os filhos passaram  a se revezar para ajudar dona Izabel nas atividades do dia a dia. Ela apresentou vários episódios de perda de memória e mudanças de humor, chegando por várias vezes até a esquecer ou confundir os filhos com suas irmãs, fato que nunca aconteceu quando se tratava de João Miúdo. Além de não esquecer o amado, ela pergunta por ele constantemente, fazendo questão de declarar seu amor e dizer que "está com saudades".

"Se não sou bom companheiro. Peço pra me perdoar. Não sei como irei ficar. Se você sair primeiro"

João Miúdo

“Em determinados momentos, mesmo ele dormindo na mesma casa, ela pergunta por ele. Fala ‘cadê o João? Eu quero vê-lo. Eu tô com saudades dele!’. Quando o encontra, para ela é uma grande alegria!”, relatou o neto.

Dona Izabel hoje segue frágil, porém firme. Com a ajuda dos filhos, de Seu João e com uma cadeira de rodas adquirida com muito sacrifício, ás vezes, ela consegue fazer uma das coisas que gosta muito: passear. Ela é fã de suas "calungas", nome que usa para chamar as bonecas, que trata com tanto amor quanto trata o seu amado.

De acordo com a família do casal de idosos, eles foram, são e permanecerão sendo grandes exemplos da manifestação do amor, carinho, cuidado e felicidade.