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Deputado federal eleito, Julian Lemos diz que não esperava receber ministério: "Não é bem assim"

Homem de confiança de Bolsonaro, ele obteve quase 72 mil votos nas eleições e vai representar a Paraíba na Câmara dos Deputados a partir de fevereiro

Por Vitor Feitosa

10h12 - Atualizado 06/01/2019 às 10h20

A partir de fevereiro de 2019, Gulliem Charles Bezerra Lemos, mais conhecido como Julian Lemos (PSL-PB), toma posse na Câmara dos Deputados para ser um dos 12 representantes da Paraíba. Natural de Campina Grande, o empresário do ramo de segurança de 43 anos de idade é considerado homem de confiança de Jair Bolsonaro, e resolveu entrar na política para ajudar o novo presidente da República a governar nos próximos quatro anos.

Em entrevista exclusiva ao Portal T5, Julian contou como conheceu Bolsonaro, afirmou que não esperava receber nenhum ministério ou cargo importante na atual gestão e disse ainda o que a Paraíba pode esperar de sua atuação no Congresso. Leia a seguir ou assista ao vídeo no início da matéria.

Julian Lemos foi eleito com quase 72 mil votos em 2018
Julian Lemos foi eleito com quase 72 mil votos em 2018 Foto: Arquivo/RTC

- Quando começou a sua aproximação com o presidente Jair Bolsonaro?

“Começou aqui em João Pessoa. Eu conheço o presidente desde que ele tinha 3% nas pesquisas. Ele era ainda um candidato caricato, um deputado de baixo clero e que as pessoas, a maioria, não dava o crédito de que ele poderia ser o presidente da República. Quando ele veio em João Pessoa eu o conheci, fiz sua segurança e o assessorei nessa sua vinda. Ali nasceu uma amizade, com ele e com o Eduardo Bolsonaro [deputado federal por São Paulo e filho de Jair]. Inclusive, a TV Tambaú foi partícipe disso também, não é atoa que a primeira grande entrevista que ele deu mesmo, de fato, como programa bem extenso, foi aqui. Ali a gente se aproximou e ele viu, com olhar clínico dele, político, posso dizer, alguém que tinha coragem e vocação para isso. A prova é que eu fui eleito deputado federal com muita alegria. Não tenho vaidade nisso, mas fiquei muito feliz de poder ajudar meu Estado e ajudá-lo a governar essa nação como deputado federal”.

- Mesmo tendo sido eleito deputado federal, você esperava receber algum ministério ou cargo importante no governo?

“Não, porque nós já saberíamos que não seria um modelo aplicado dessa forma, que era: ‘Você foi eleito, você vai começar a ter isso’. Não é bem assim. O espaço que a gente pode contribuir no governo é, por exemplo, se tem um ministro de uma pasta e ele sabe que eu sou da Paraíba, se ele precisar de mim, eu estarei disponível para ajudá-lo. Mas eu não vou colocar uma faca no pescoço e dizer: ‘Olha, eu tenho cargo, agora eu quero nomear alguém para a Caixa Econômica’. Até porque eu fui eleito para ser deputado, não foi para operar na Caixa Econômica, por exemplo, ou em uma estatal. E vou dizer a você, da forma como entrei, como fui votado, eu quero lá um peso desse nas minhas costas. Quero cumprir meu papel de deputado, é isso que devo fazer, e acho que todos deveriam ser assim”.

Eu não faço parte da velha política

Julian Lemos, deputado federal eleito pelo PSL-PB
O deputado federal eleito durante entrevista à rádio Jovem Pan João Pessoa
O deputado federal eleito durante entrevista à rádio Jovem Pan João Pessoa Foto: Arquivo/RTC

- Comentou-se que o apoio do PSL a Rodrigo Maia para a reeleição à presidência da Câmara dos Deputados seria fazer a “velha política”. Como defender essa aliança?

“Eu posso dizer que o Congresso tem vida própria, as casas têm vida própria. O presidente tem suas preferências e é bom que ele fique ali bem guardadinho, porque se ele falar pode até atrapalhar. E o partido, no desenho lá dentro, porque não é só questão de velha política. Eu não faço parte da velha política, mas concordo com a decisão do presidente. Ali não tem santo, e nós queremos ver o que vai viabilizar […] é como ir em um churrasco, digamos assim, sem sair fedendo a fumaça. É o meu caso ali dentro. Foram eleitos, praticamente 50% de novos parlamentares, ou pelo menos de mandatos novos, mas a outra metade ficou lá dentro. E outra coisa, os que têm chance de ser presidente, são de mandatos antigos. Então eu garanto que a ‘velha política’ é uma coisa, mas as práticas da forma como era feito, sobretudo como ‘mensalões’ lá dentro, isso aí é que vai mudar. Mas sobretudo a gente vai começar um processo de mudança, não tem como mudar tudo da água pro vinho, porque isso não existe nem na vida pessoal da gente, imagine dentro de um negócio daquele, cada um com seus interesses pessoais”.

- Você teve participação na escolha do procurador e pastor paraibano Sérgio Queiroz para ocupar um cargo na pasta dos Direitos Humanos?

“O procurador Sérgio Queiroz é um homem de um currículo invejável. Ele tem seis graduações e fala três idiomas. É uma pessoa que foi indicada por mim para ir para a transição, e lá, com a formação desse ministério, com a ministra Damares Alves, nós tivemos conversações, juntamente com ela, e ele está lá onde está hoje. Eu me sinto muito feliz de ter tido essa participação também”.

- O que esperar da sua atuação na Câmara dos Deputados no que diz respeito a recursos para a Paraíba?

“O recurso é um detalhe. Eu tenho emendas impositivas, essas já são certas de vir para cá. Mas acima disso é a voz para denunciar, para mostrar à sociedade como deve ser feito um mandato de deputado federal de forma independente. Quando eu digo ‘independente’ é porque eu sou independente mesmo. Eu tenho minha forma de pensar, amo minha região, não vou me calar para desmando de ninguém, nem meu mesmo. Se eu errar, eu digo: ‘Olha, errei. Desculpa aí’. Todos vão ver de mim uma postura diferente. A Paraíba me conhece, a grande maioria de quem votou em mim não é brincadeira, 71.899 votos. E eu sou uma pessoa que tenho como assinatura a coragem. Coragem é o que um político precisa, andando junto com honestidade e decência. É o que eu quero fazer, alguém que possa, além dos recursos, ter voz também, e eu serei conhecido pela voz”.

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