Paraíba, sexta-feira, 17 de agosto de 2018
22° C
Busca

Paraíba

Paraíba

Casal paraibano festeja o dia dos namorados dançando quadrilha junina

A história de Marcelo e Wanice é baseada em amor às quadrilhas juninas.

Por Cristiano Sacramento

16h00 - Atualizado 12/06/2018 às 15h40
Marcelo e Wanisse Silva
Marcelo e Wanisse Silva Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal / Marcelo Silva

A gente passa junto, festejando e com muita comida típica”. A declaração do paraibano Marcelo da Silva, de 35 anos, revela que a celebração do dia dos namorados para ele e Wanice Silva, de 30 anos, tem um toque bem nordestino. O casal afirma que o relacionamento não seria o mesmo sem o "calor que vem do São João". Mas essa história começa bem antes da entrevista ao Portal T5. Ela se inicia lá atrás, há cerca de 15 anos.

Nos conhecemos por conta do destino. Eu trabalhava em um parque de diversões como locutor de um bingo esportivo. Em uma determinada noite, chamando o sorteio, lá estava ela, com uma amiga, olhando pra mim. Fixamos os olhares e depois que terminou minha noite de trabalho, conversamos. Nos conhecemos neste dia e estamos juntos até hoje”, disse Marcelo. Wanice era estudante, e o encanto provocado pelo encontro foi descrito como “magia”.

Para representar comunidade, adolescentes formam quadrilha junina em João Pessoa

O casal se reuniu, começou a namorar. Daí vieram três filhos e uma família. Wanice e Marcelo se orgulham do laço construído. Há cerca de 10 anos, Wanice se apresenta em quadrilhas, e, nos últimos 5, convidou o companheiro. Marcelo 'caiu na dança' e parece não ter a intenção de largar a diversão. Sendo assim, os dois tornaram-se quadrilheiros e 'embalam' parte das vidas ao som do autêntico forró pé-de-serra.

É no bairro da Ilha do Bispo, em João Pessoa, que a euforia do casal e converte em passos bem marcados pelo ritmo. O que antes era uma coreografia, com duas pessoas, agora envolve os cinco integrantes da família. Isso porque os filhos Ana Carolina (15), Jaysla Emilly (13) e Wesley Philipe (10) participam diretamente das apresentações, seja nas encenações ou bastidores e até entre os bailarinos da quadrilha Xamêgo Arretado.

Wanice (à esq.) e Jaysla Emilly (à dir.). Na família Silva, o amor a quadrilha ultrapassa passa de gerações
Wanice (à esq.) e Jaysla Emilly (à dir.). Na família Silva, o amor a quadrilha ultrapassa passa de gerações Montagem: Cristiano Sacramento / Portal T5

É uma data que a gente ama demais porque transmite afeto

Marcelo Silva, sobre o dia dos namorados

Para Marcelo, a união entre quadrilha, dia dos namorados e o período junino consiste na afirmação da base familiar. “Hoje a quadrilha representa uma forma de unir nossa família. Com ela brincamos o São João de forma sadia. Nos curtimos, fazemos amizade e adoramos acompanhar os nossos amigos”, completou.

O dia dos namorados para o casal é uma data para compartilhar e celebrar o amor. “Chegamos a sair para brincar com nossos amigos e é uma data em que a gente se ama mais. Ela nos transmite afeto e amor que a cada ano que passa fica mais forte. É uma data que nunca vai ser despercebida, sempre passamos juntos, tentando a cada nos aproximar mais ainda”, detalhou.

A gente não deixa o fogo junino se apagar. O bom da vida é dançar o forró e lembrar de tudo aquilo que a gente passou”, finalizou Wanice. E como em um ritual de espírito, o casal de diverte e faz questão de passar o dia dos namorados se preparando para as próximas apresentações.

Parte dos integrantes da quadrilha Xamêgo Arretado
Parte dos integrantes da quadrilha Xamêgo Arretado Foto: Reprodução / Facebook

Quadrilha também é um caso de amor

Xamêgo Arretado nasceu da falta de uma agremiação que representante o período junino na Ilha do Bispo. O bairro passou cerca de 10 anos sem uma quadrilha própria. Com o intuito de manter o elo entre a população e a cultura nos arraiás da Paraíba, os 37 integrantes defendem que as tradições locais devem ser preservadas.

Ao Portal T5, um dos idealizadores do grupo, José Roberto, disse que o projeto surgiu em decorrência da necessidade de avivar o sentimento de regionalismo.

"Inicialmente começamos no bairro da Torre e trouxemos para a Ilha do Bispo, pois percebemos que o bairro não tinha representantes", afirmou. Ainda de acordo com ele, a comunidade abraçou o projeto e se integrou ao movimento junino. "É um grupo pra movimentar o período na comunidade. Assim surgiu a Xâmego Arretado, antes éramos Riacho Fundo, mas, fizemos um projeto novo, ela renasceu. Iniciamos o trabalho em outubro de 2017", completou

"São cerca de 70 pessoas, incluindo o apoio. Destes, 90% nunca dançou quadrilha, mas estamos com um pensamento muito grande. É um caso de amor", finalizou Roberto.

Wanisse e Marcelo na preparação para mais um ensaio
Wanisse e Marcelo na preparação para mais um ensaio Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal / Marcelo Silva