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Mais de 130 médicos cubanos devem deixar a Paraíba com o fim do Mais Médicos

Segundo Jair Bolsonaro, Cuba não aceitou as condições impostas pela futura gestão para a manutenção do programa

Por Redação Portal T5

16h11
Os médicos cubanos atendem mais de 60 milhões de brasileiros
Os médicos cubanos atendem mais de 60 milhões de brasileiros Foto: OPAS/OMS

Nesta quarta-feira (14), o Ministério da Saúde Pública de Cuba anunciou que vai abandonar o programa Mais Médicos após não haver acordo com a equipe do presidente eleito da República Jair Bolsonaro, citando que as mudanças propostas por ele "impõem condições inaceitáveis” para os médicos cubanos.

Com o fim da parceria, 134 médicos devem deixar a Paraíba. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde, os cubanos atendem pacientes em 70 municípios paraibanos através do Sistema Único de Saúde. O programa teve início em 2013 em acordo firmado com o então governo de Dilma Rousseff.

O município de Santa Cecília, no Cariri, é um dos que concentra o maior número de cubanos trabalhando na área da Saúde, na Paraíba – são três, ao todo, em três unidades de saúde diferentes. Ao Portal T5, a Secretaria Municipal de Saúde da cidade declarou que ainda não foi informada oficialmente da medida, mas a perda dos profissionais causaria “uma preocupação muito grande” para a população local, que tem cerca de 6.500 habitantes, conforme dados de 2015 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o Ministério da Saúde, atualmente são cerca de 8.500 médicos oriundos de Cuba atuando no Brasil, que atendem aproximadamente 63 milhões de brasileiros em território nacional. O salário de um profissional de medicina cubano é de R$ 11.520, recebendo ainda um auxílio moradia e alimentação oferecidos por cada prefeitura no valor de R$ 2.500.

“Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou.”, disse Jair Bolsonaro em seu Twitter.

Também através da rede social, o atual governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, lamentou o fim do programa.

"Mais uma perda imposta ao povo: o desmonte do Mais Médicos. Impressionante o desconhecimento e a partidarização de tudo para alimentar fantasmas e viver de factoides. Minha gratidão ao trabalho correto e solidário dos médicos cubanos. O povo sabe o valor do trabalho deles", escreveu o gestor.

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