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Público de touradas na Espanha cai pela metade em menos de uma década

Os juízes entenderam que o Legislativo local podia regular a atividade e estabelecer parâmetros de cuidados com os animais.

Por Redação Portal T5

12h59 - Atualizado 15/08/2019 às 13h04
A contenda entre os defensores dos direitos dos animais e os aficionados pelo ritual macabro remonta há décadas
A contenda entre os defensores dos direitos dos animais e os aficionados pelo ritual macabro remonta há décadas Foto: Reprodução / IPCO

PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) - "Não é arte, é tortura." Eis um dos slogans entoados no último fim de semana, na porta de uma arena de touros em Palma de Mallorca (Espanha), por militantes antitouradas. "Liberdade", berravam de volta os entusiastas da tauromaquia.
A contenda entre os defensores dos direitos dos animais e os aficionados pelo ritual macabro remonta há décadas.

Os primeiros contestam com veemência a associação que os segundos tecem entre as corridas bovinas e a quintessência da Espanha -para os amantes, o espetáculo é uma síntese tão aguda da cultura do país quanto o flamenco, por exemplo.

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Os primeiros relatos de "jogos" assimilados à perseguição a touros datam do século 9, mas a forma atual se consolidou a partir do século 18. Em 1991, a prática foi interditada nas Ilhas Canárias. Em 2010, o Parlamento regional da Catalunha também proibiu as touradas, mas o veto seria anulado seis anos depois pela mais alta corte espanhola, o Tribunal Constitucional. 
Os juízes entenderam que o Legislativo local podia regular a atividade e estabelecer parâmetros de cuidados com os animais, mas não decidir sobre "a preservação do patrimônio cultural comum".

Nas Ilhas Baleares, onde fica Palma de Mallorca, o espetáculo (em sua forma mais cruel, ao menos) havia sido igualmente proscrito por uma norma regional, mas a decisão do equivalente espanhol ao STF reabriu as portas das arenas -daí o bate-boca que abre este texto.

Já em Madri, a prefeitura cortou, em 2015, as subvenções para uma escola de tauromaquia. Os governos locais se mostram sintonizados com uma mudança na opinião pública sobre as corridas de touros. Segundo o Ministério da Cultura espanhol, o número de espectadores nas arenas caiu 50% entre 2007 e 2014.

Uma pesquisa realizada pelo instituto Ipsos Mori em janeiro de 2016 estabeleceu em 58% a oposição da população ao show. Na esteira do interesse minguante, a quantidade de espetáculos também sofreu queda, de 3.651 em 2007 para 1.521 em 2018, de acordo com o governo federal.

A associação Animal Cross contabiliza em 40 mil cabeças o saldo anual de mortes em touradas na Europa -além da Espanha, o ritual é praticado em Portugal e no sul da França. Nesse último país, as cerca de 70 corridas anuais chegaram a ser inscritas no panteão do patrimônio cultural imaterial, mas foram retiradas em 2016. Elas são autorizadas desde 1951 nos departamentos (unidades administrativas) em que encarnam uma "tradição ininterrupta", nos termos da legislação.

No Brasil, festa de Barretos atrai milhares As montarias em touro completam 40 anos na Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos (a 423 km de São Paulo), que começa nesta quinta-feira (15) e tem a expectativa de reunir 1 milhão de visitantes em 11 dias.

Serão seis provas distintas de montarias em touros, além de disputas envolvendo cavalos, como team penning e três tambores. Surgida em 1956 em Barretos, a festa, que está em sua 64ª edição, teve apenas montarias em cavalos até 1979, quando foi introduzida a disputa entre peões e touros, a mais aguardada pelo público que nas finais lota a arena de rodeios -35 mil pessoas sentadas.

Mas, como é definido o campeão? Como é a classificação? Nas montarias, as notas vão de 0 a 100 e são atribuídas ao desempenho do peão e do touro. Cada um é avaliado entre 0 e 50 pontos. Para que a nota seja válida, é preciso que o competidor permaneça o tempo estipulado de oito segundos sobre o animal.

Isso significa que, independentemente do desempenho, se o peão cair do touro antes do tempo mínimo sua nota será zero. Se a porteira for aberta e o touro ficar parado ou não pular, o peão tem a possibilidade de fazer uma nova montaria. Uma boa participação ocorre quando a nota fica acima de 85 pontos.

As provas envolvendo touros começam nesta quinta, com a disputa do rodeio interestadual, que terá montarias de competidores de 12 estados (SP, SC, MG, PR, ES, RJ, MT, MS, RO, PA, AC e TO).Cada time é formado por cinco peões e a pontuação de todos é somada. A equipe campeã e o peão que tiver a maior nota individual (independentemente da equipe) se classificarão para a disputa do Barretos International Rodeo, no segundo final de semana.

Nos mesmos dias ainda haverá o The American Run, uma disputa entre 15 peões em busca de vaga na semifinal do The American, rodeio nos EUA que tem premiação milionária. A terceira disputa entre peões e touros será realizada entre os dias 19 e 21, com a última etapa da LNR (Liga Nacional de Rodeio).Ela reúne campeões de rodeios disputados desde o segundo semestre do ano passado no país. Os peões mais bem classificados nos três dias disputarão a final da LNR dia 24. Já a etapa internacional, com peões de Brasil, Canadá e EUA, acontecerá entre os dias 22 e 25.

O campeão também é definido a partir da somatória de notas nos quatro dias do rodeio."Temos de oferecer atrações diferenciadas, que despertem a atenção do público. São competições distintas, mas com o mesmo propósito, que é apresentar bons espetáculos. Os melhores estão aqui", disse Marcos Abud, diretor de rodeios da Festa do Peão. No mesmo período da fase internacional, também acontecerá a disputa do rodeio junior, para adolescentes, e as finais do campeonato da CNAR (Confederação Nacional de Rodeio).

Já entre as provas envolvendo cavalos, os destaques ficam por conta do team penning, em que um trio de cavaleiros tem de conduzir um número de bezerros para um curral, e de três tambores, em que as amazonas precisam percorrer na arena um triângulo formado por três tambores no menor tempo possível.

A premiação será de cerca de R$ 1 milhão, somadas todas as modalidades em disputa. "Nos dois últimos anos, oferecemos prêmio [ao campeão em touros no rodeio internacional, R$ 280 mil] que se equipara aos dados nos EUA", disse o presidente da festa, Ricardo Rocha. O campeão em cavalos levará um veículo de R$ 80 mil. A partir deste ano, os competidores terão à disposição a Casa dos Gigantes, local em que poderão fazer o aquecimento e se preparar para as montarias.

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