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Fundador do WikiLeaks, Julian Assange é preso na embaixada do Equador em Londres

Ele estava asilado no local desde 2012.

Por Redação Portal T5

10h06 - Atualizado 11/04/2019 às 10h29

Ele estava asilado no local desde 2012.O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, 47, foi preso pela polícia britânica na manhã desta quinta-feira (11) na embaixada do Equador, em Londres, no Reino Unido, a pedido dos Estados Unidos. Ele estava asilado no local desde 2012.

Assange e o Wikileaks foram responsáveis por um enorme vazamento de documentos confidenciais do governo dos EUA em 2010. Em 2012, Assange se refugiou na embaixada do Equador em Londres.

Segundo a polícia, Assange foi preso devido a um pedido de extradição dos Estados Unidos. Ele foi levado para uma delegacia do centro de Londres, onde aguarda a realização de uma audiência de custódia.

Inicialmente, as autoridades britânicas haviam dito que a detenção era por que ele havia faltado a uma audiência, em 2012.

No entanto, Alan Duncan, ministro britânico do Exterior, disse que Assange não será extraditado aos EUA se houver a possibilidade de ele ser condenado à pena de morte. "É nossa política em todas as circunstâncias, então isso se aplica igualmente a Assange, que ele não será extraditado se tiver que encarar a pena de morte", disse.

Em novembro, o Wikileaks disse que Assange estava sendo processado de forma secreta pelos Estados Unidos. O governo norte-americano não confirmou a informação na época.
Após a prisão, o ministro britânico do Interior, Sajid Javid, agradeceu a cooperação do país sul-americano e disse que "ninguém está acima da lei".

Um vídeo divulgado pela agência estatal russa RT mostra o momento da prisão.
A agência russa foi a única a registrar o momento, porque manteve repórteres de plantão na frente da embaixada 24 horas por dia desde a semana passada.

O presidente do Equador, Lenín Moreno, disse que pediu ao Reino Unido garantias de que o fundador do Wikileaks não seja deportado para um país onde possa ser alvo de tortura ou de pena de morte.

"O governo do Reino Unido confirmou isso por escrito, de acordo com suas regras", afirmou Moreno.

Detido em dezembro de 2010 na Inglaterra, Assange era alvo de uma investigação na Suécia por abuso sexual. Ele foi liberado alguns dias depois mediante pagamento de fiança, mas não conseguiu reverter o processo de extradição. Como último recurso, buscou refúgio na representação diplomática equatoriana.

Assange passou a viver na embaixada, e obteve a cidadania do Equador em dezembro de 2017. Procuradores da Suécia decidiram arquivar o processo neste mesmo ano, pela impossibilidade de ouvi-lo.

As autoridades da Suécia foram surpreendidas com a prisão desta quinta-feira. "Não também não sabíamos que ele seria preso. Estamos acompanhando os desdobramentos", disse Ingrid Isgren, chefe dos procuradores da Suécia.

O temor de Assange era que as autoridades suecas acabassem entregando-o aos Estados Unidos, onde o programador australiano é persona non grata por ter revelado centenas de documentos secretos do governo, incluindo comunicações sobre as campanhas americanas nas guerras do Afeganistão e do Iraque.

No entanto, a prisão acabou sendo possível com a cooperação do Equador. A polícia metropolitana de Londres disse que foi chamada pelo embaixador do Equador, após o pais retirar o asilo que protegia Assange.

A indisposição do governo equatoriano com o fundador do WikiLeaks vinha se acentuando nos últimos meses. Segundo o jornal inglês Guardian, o hóspede não podia receber visitas ou acessar a internet desde março.

No fim de 2018, Assange, entrou na Justiça do Equador contestando os novos termos de seu asilo, que determinam que ele deve pagar por suas contas médicas e de telefone e limpar a sujeira de seu gato.

No começo de abril, o presidente Moreno disse a rádios de seu país que Assange havia violado repetidamente os termos de seu asilo na embaixada. "Ele não pode mentir, e menos ainda hackear contas ou telefones celulares particulares", afirmou, lembrando que fotos de seu quarto e de sua família haviam sido publicadas em redes sociais -mas sem acusar nominalmente o australiano por isso.

Moreno também afirmou que o programador não podia "intervir na política de outros países, quanto mais na de países amigos".

Recentemente, o WikiLeaks publicou informes sobre os chamados Papéis Ina, que apontam para um esquema de corrupção ligando Moreno a uma empresa offshore no Panamá. O presidente nega qualquer malfeito.

O ex-presidente do Equador, Rafael Correa, que havia concedido o asilo em 2012, criticou duramente o sucessor. "O maior traidor da história equatoriana e latino-americana, Moreno permitiu que a polícia britânica entrasse na nossa embaixada em Londres. Moreno é um corrupto, mas o que fez é um crime que a humanidade nunca esquecerá", tuitou Correa, que hoje vive na Bélgica.

Para o Wikileaks, a retirada do asilo foi feita de forma ilegal e representa uma violação da lei internacional.

O governo da Rússia disse esperar que os direitos de Assange não sejam violados.

HACKER DESDE OS ANOS 1990
Assange é elogiado por muitos grupos por ter exposto casos de abusos de poder por parte de governos. Para outros, é considerado um rebelde perigoso, que colocou em perigo a segurança dos Estados Unidos ao divulgar informações confidenciais.

Nascido na Austrália em 1971, ele foi acusado de realizar dezenas de ataques hacker no país em 1995, época em que a internet começava a se popularizar. Teve de pagar multas, mas escapou da prisão.

Ele estudou física e matemática em Melbourne e, em 2006, criou o Wikileaks junto com outras pessoas.

O Wikileaks é um site dedicado a receber e publicar informações confidenciais, protegendo a identidade de quem vazou as informações.

Em 2010, a página divulgou uma grande quantidade de documentos militares secretos relacionados às guerras dos EUA no Iraque e no Afeganistão. Também vieram a público vídeos de militares americanos atirando em civis no Iraque e uma grande quantidade de mensagens diplomáticas confidenciais, incluindo alguns que citavam o Brasil.

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