Paraíba, segunda-feira, 22 de outubro de 2018
20° C
Busca

Portal T5

Economia

Investigados na Lava Jato pagam dívidas de R$ 3,8 bilhões com apoio do Refis

​A Fiscalização da Receita Federal acredita em uma ​distorção no sistema.

Por Redação Portal T5

09h03 - Atualizado 16/05/2018 às 09h07

Segundo um levantamento da Receita Federal, empresas e pessoas físicas investigadas nas operações Lava Jato, Zelotes e Ararath, da Polícia Federal (PF), conseguiram parcelar, no último Refis, R$ 3,85 bilhões de autuações decorrentes de fraudes e sonegação.

Os investigados se livraram de responder processos por crime fiscal, quando aderiram ao programa, além de conseguirem descontos generosos e ganhar um prazo maior para o pagamento.

A Fiscalização da Receita acredita em uma distorção no sistema. “O que causa a impunidade tributária no País é a certeza que ele vai ter um Refis e não vai ser preso. Por quê? Ele vai pagar o tributo”, disse o secretário, Iágaro Martins.

Iágaro fez uma comparação entre esses sonegadores e uma pessoa que rouba uma bicicleta e que, mesmo devolvendo o objeto roubado, continua respondendo pelo crime de roubo. “No crime tributário, o sujeito sequer é denunciado. A não equivalência de valores é muito discrepante”, revelou.

A maior parte da dívida parcelada – R$ 3,34 bilhões – partiu de pessoas e empresas envolvidas na operação Lava Jato, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou bilhões de reais e colocou a Petrobrás no centro da distribuição de propinas. Além da Lava Jato, a Receita também autuou investigados nas operações Zelotes – que apura esquema de compra de votos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), última instância para recorrer das autuações do Fisco – e Ararath – esquema de lavagem de dinheiro e de desvio de recursos públicos no governo de Mato Grosso. As informações foram divulgadas pelo Estado de São Paulo. 

O Refis - Batizado oficialmente de Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), o Refis aprovado no ano passado foi marcado por grande polêmica, especialmente pelo volume de descontos concedidos aos devedores, com anistia de 90% nos juros e de 70% nas multas.