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"Recebo mensagem de gente com o mesmo dilema", diz ator sobre gay enrustido

Eriberto Leão interpreta um personagem que não se aceita como gay na novela "O Outro Lado do Paraíso"

Por Vitor Feitosa

03h30 - Atualizado 12/11/2017 às 19h46
Os personagens de Eriberto Leão e Ellen Rocche na novela "O Outro Lado do Paraíso"
Os personagens de Eriberto Leão e Ellen Rocche na novela "O Outro Lado do Paraíso" Foto: Divulgação/TV Globo

A tentativa de se encaixar em um padrão só tem causado sofrimento a Samuel, personagem de Eriberto Leão em "O Outro Lado do Paraíso", que não consegue se aceitar e já disse, inclusive, que odeia ser gay.

Mesmo assim, o psiquiatra reluta em aceitar a própria orientação sexual e vai se boicotar mais uma vez: depois de falhar na hora H com Suzy (Ellen Rocche), o médico insiste em sair com ela, e os dois acabam passando a noite juntos.

"O conflito interno dele é o que mais chama a atenção", afirma Eriberto, que diz ser difícil se colocar no lugar do personagem e prever o que faria nessa situação.

"Acho que esse conflito interno não faz bem a ninguém. É difícil opinar sobre isso. Só quem vive essa situação tem ideia e sabe o que é", analisa.

Embora não acompanhe os comentários nas redes sociais, Eriberto conta que tem recebido "um retorno muito forte" do público sobre o drama do médico.

"Fico feliz que muitas pessoas estão sendo tocadas de algum modo pela trajetória e pelos conflitos de Samuel. Recebo mensagens de pessoas que viveram esse dilema e isso me toca muito", diz.

Nos próximos capítulos da novela, a farsa de Samuel para si próprio vai além: em cenas previstas para irem ao ar na terça-feira (14), ele pede a namorada em casamento, para alegria de Adinéia (Ana Lucia Torre).

A união, que é exibida no capítulo seguinte, após uma passagem de tempo na trama, só vai mascarar o dilema do personagem. Ele passa a mentir para evitar transar com a mulher e gasta seu tempo se encontrando com rapazes.

Na história de Walcyr Carrasco, há ainda um romance previsto do psiquiatra com Cido (Rafael Zulu). O ator, no entanto, prefere não apostar em aceitação ou rejeição do casal gay.

"Vamos aguardar. Não imagino como será", despista ele. "Não acredito que há desconforto quando um ator mergulha na alma de um personagem. Não havia vivido um personagem com essas características antes. É um processo bem diferente. Tento focar no trabalho", conclui.

Via Giselle de Almeida/UOL Rio