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Centro nacional de pesquisas de Campinas seleciona 2 remédios para coquetel contra coronavírus

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (6) na presença do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcos Pontes.

Por Redação Portal T5

19h28 - Atualizado 06/04/2020 às 19h34
Foto: CNPEM/Sirius/Divulgação

Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), estão em busca de um coquetel contra o novo coronavírus e chegaram a dois medicamentos com resultados eficazes para início dos testes in vitro. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (6) na presença do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcos Pontes.

"Agora começam os testes in vitro com células reais e depois os testes com pessoas, os testes clínicos. Os testes in vitro demoram [ainda] cerca de duas semanas. E os testes com pessoas, o resultado é um pouco mais demorado, ou não. Depende de como os testes vão seguir", afirma Marcos Pontes.

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Os pesquisadores do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), uma das frentes do CNPEM, utilizaram 2 mil medicamentos já conhecidos para analisar a interação com o novo coronavírus.

Através de inteligência artificial, biologia computacional, quimioinformática e ensaios com células infectadas, chegaram a duas moléculas, dois remédios com potencial para compor o coquetel.

"Dois deles se mostraram capazes de reduzir significativamente a carga viral - combatendo o vírus. Um deles com desempenho numericamente comparável ao da cloroquina", informou o CNPEM.

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De acordo com o estudo, os dois medicamentos identificados pelo CNPEM são:

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (6) na presença do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcos Pontes.

Economicamente acessíveis
Bem tolerados em geral
Usados por pessoas de diversos perfis
Um deles já existe na versão pediátrica

"Esse centro tem a capacidade de interligar muitos conhecimentos, muitas tecnologias num local só, e isso é extremamente importante para uma resposta rápida a esse problema", afirma Pontes.

A pesquisa in vitro vem sendo feita há cerca de 15 dias e está em fase de testes complementares, que devem ser concluídos nas próximas duas semanas. Após essa etapa, serão feitos testes em humanos, que ficarão a cargo de outra instituição pertencente à Rede Vírus do MCTIC.

O funcionamento do coquetel se dará de maneira parecida com o grupo de remédios que tratam o HIV.

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Divulgados avanços nas pesquisas

Dentre os seis candidatos promissores ao tratamento de COVID-19 que foram submetidos a séries de ensaios com células infectadas, dois se mostraram capazes de reduzir significativamente a carga viral, combatendo o vírus. Um deles com desempenho numericamente comparável ao da cloroquina. Além da eficácia contra o COVID-19, os dois medicamentos identificados pelo CNPEM são economicamente acessíveis, bem tolerados em geral, comumente utilizados por pessoas dos mais diversos perfis e, um deles, inclusive, está disponível em formulação pediátrica.

“Estamos bastante animados com os resultados destes ensaios. Contudo, ainda são resultados in vitro, ou seja, na bancada do laboratório. Agora seguiremos para avaliações complementares, ainda na bancada, mas que são fundamentais para que possamos avaliar se esses dois medicamentos poderão ser levados com segurança para estudos clínicos, testes com humanos infectados. Acreditamos que em cerca de duas semanas teremos novos resultados”, afirma Rafael Elias, virologista do CNPEM/MCTIC.

Vírus e coquetéis

A mobilização mundial contra o coronavírus tem apontado efeitos positivos de outros remédios já conhecidos para tratar a infecção viral. Esses resultados, já extremamente relevantes, podem ser potencializados pelos esforços dos pesquisadores brasileiros. Isso porque no combate às infecções virais, as terapias mais efetivas costumam reunir mais de um composto ativo para vencer as frequentes mutações do vírus. Ou seja, é preciso um arsenal terapêutico, capaz de inibir diferentes alvos virais, como acontece no coquetel utilizado contra o HIV. A possibilidade de combinar mais de um medicamento é umas frentes que balizam as ações do CNPEM.

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Chave-fechadura

O material genético do coronavírus encontra-se no interior do capsídeo, um invólucro de natureza proteica, contido, por sua vez, em um envelope constituído por três proteínas estruturais, dentre as quais a proteína spike, envolvida na entrada do vírus na célula hospedeira e que dá a aparência de coroa ao vírus. O coronavírus também produz enzimas acessórias que são essenciais para o seu ciclo de vida e que, portanto, são alvos potenciais para a ação de fármacos com efeitos antivirais.

No CNPEM, os pesquisadores estão trabalhando na procura de inibidores de pelo menos quatro proteínas do coronavírus, incluindo enzimas acessórias e proteínas estruturais. Em testes computacionais, que utilizam dados atômicos da estrutura e ação das proteínas, combinados com o uso de ferramentas de inteligência artificial, os pesquisadores testam a interação de moléculas disponíveis nas farmácias com essas proteínas-alvo para pré-selecionar aquelas que se mostram promissoras em interferir na infecção.

As moléculas selecionadas são então testadas em ensaios in vitro para verificação de sua eficácia em eliminar a carga viral, embasando assim a resposta de uso dos medicamentos já disponíveis.

Esforços do CNPEM também estão na determinação da estrutura das proteínas do coronavírus, formas ainda não conhecidas, e da própria organização da partícula viral. Isto é possível graças à infraestrutura estabelecida no CNPEM, que permite a produção dos alvos proteicos, determinação e o estudo de proteínas virais.

Trabalho contínuo

A rápida resposta do CNPEM à epidemia de coronavírus vale-se da expertise de seus pesquisadores em virologia, biologia computacional, estudos aprofundados de proteínas, dentre outras competências que precisam ser integradas para enfrentar grandes desafios. Além do time de especialistas altamente qualificados, o Centro mantém, com financiamento do MCTIC, infraestrutura e equipamentos de última geração, competitivos internacionalmente, para apoiar os avanços da pesquisa nacional. Em breve, esse arsenal ganhará um importante aliado, o Sirius – o novo acelerador de elétrons brasileiro. Projetado para ser uma das mais avançadas fontes de luz síncrotron do mundo e com recursos para lançar a outro patamar as pesquisas que utilizam estruturas moleculares, como é o caso da área de descoberta de fármacos, entre tantas outras.

Com informações do G1