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Ataques de 11 de setembro ainda fazem vítimas em NY, 18 anos depois

Além das cerca de 3.000 pessoas falecidas e mais de 6.000 feridas no desabamento do World Trade Center, Nova York ainda não terminou de contar as pessoas doentes de câncer e outros males graves, sobretudo de pulmão, ligados à nuvem tóxica que planou durante semanas sobre o sul da ilha.

Por Renata Nunes

11h32 - Atualizado 11/09/2019 às 11h36

Jaquelin Febrillet tinha 26 anos e trabalhava a duas quadras das Torres Gêmeas quando os aviões sequestrados pelos jihadistas derrubaram o complexo de prédios em 11 de setembro de 2001.

Em 2016, 15 anos depois dos atentados mais mortais da história, esta sindicalista profissional, hoje mãe de três filhos, foi diagnosticada com um câncer com metástases. A única explicação lógica: a nuvem de cinzas e resíduos tóxicos na qual se encontrou imersa no dia da catástrofe.

Richard Fahrer, de 37 anos, trabalhou frequentemente no sul de Manhattan como agrimensor de 2001 a 2003.

Há 18 meses, após sentir dores no estômago, os médicos detectaram um câncer agressivo de cólon, uma doença que costuma afetar homens muito mais velhos, e para o qual não tinha nenhuma predisposição.

Além das cerca de 3.000 pessoas falecidas e mais de 6.000 feridas no desabamento do World Trade Center, Nova York ainda não terminou de contar as pessoas doentes de câncer e outros males graves, sobretudo de pulmão, ligados à nuvem tóxica que planou durante semanas sobre o sul da ilha.

 Não só os socorristas

As dezenas de milhares de bombeiros, socorristas, médicos ou voluntários mobilizados para o “Ground Zero”, onde ficavam as Torres, foram os primeiros afetados.

Já em 2011, um estudo publicado na revista científica The Lancet mostrava que estas pessoas enfrentavam riscos maiores de sofrer câncer.

Um censo do WTC Health Program, um programa federal de saúde reservado aos sobreviventes dos atentados, deu conta de cânceres em 10.000 deles.

Jaquelin Febrillet e Richard Fahrer fazem parte das pessoas “comuns” que trabalhavam ou residiam no sul de Manhattan quando ocorreram os atentados, uma categoria de doentes que não para de aumentar.
No fim de junho passado, mais de 21.000 deles tinham se registrado no programa de saúde, duas vezes mais que em junho de 2016.

E desses 21.000, cerca de 4.000 foram diagnosticados com câncer, sobretudo de próstata, mama ou pele.

“É impossível para um indivíduo determinar a causa exata (de um câncer), já que nenhum exame de sangue vem com a etiqueta WTC”, mas vários estudos mostraram que “a taxa de câncer aumentou entre 10% e 30% nas pessoas expostas”, explicou à AFP David Prezant, chefe médico dos bombeiros nova-iorquinos.

E se espera que esta taxa aumente no futuro, em consequência do envelhecimento das pessoas expostas – os riscos de câncer aumentam com a idade – e a natureza de certos cânceres, como o de pulmão ou o mesotelioma, que demora de 20 a 30 anos para se desenvolver, disse.

A reportagem é da Revista Exame