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​Baianas desenvolvem o primeiro capacete de ciclismo para negros

A ideia do capacete focou cinco pontos principais: formato adequado, segurança, proteção do cabelo, estilo e identidade.

Por Redação Portal T5

16h41 - Atualizado 13/07/2019 às 17h17
A ideia agora é buscar parcerias para ampliar a distribuição dentro e fora do país
A ideia agora é buscar parcerias para ampliar a distribuição dentro e fora do país Foto: Reprodução / Internet

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Se o capacete é um item de segurança essencial para ciclistas, ele deveria ser usado por todos. Mas os formatos e tamanhos disponíveis no mercado não garantem essa diversidade. As pessoas negras com cabelos crespos, dreads e tranças simplesmente não encontram capacetes que caibam em suas cabeças.

Em Salvador (BA) o problema virou solução. Um capacete produzido especialmente para pessoas negras acaba de dar seus primeiros passos para chegar ao mercado.
"Observamos que todos os produtos de bike, sejam roupas ou acessórios, são pensados para pessoas brancas, de cabelos lisos, e magras. E esse era um dos fatores que fazia as pessoas negras não usarem capacete. Ele não é adequado", conta Lívia Suarez, do La Frida Bikes, empresa responsável pelo projeto.

Ela conta que a ideia do capacete focou cinco pontos principais: Formato adequado, segurança, proteção do cabelo, estilo e identidade.

O Forblacks tem design afrofuturista, com uma viseira magnética, e formato maior, com uma abertura no topo, garantindo a geometria adequada e evidenciando o cabelo afro.
A saúde das madeixas também era uma preocupação. "A espuma do interior dos capacetes simplesmente destrói nossos cabelos".

A solução foi revesti-lo com esponja Nudred, uma espuma especial utilizada para enrolar e cuidar de cabelos crespos.

O protótipo foi apresentado pela primeira vez no fim de junho no Velocity, evento que reúne a indústria e organizações ligadas à bike do mundo todo, em Dublin, na Irlanda.
O desenvolvimento do Forblacks foi todo feito no Brasil, por uma equipe 100% negra e baiana. "Nossa ideia é produzir tudo aqui, do nosso jeito, seguindo nossas ideias".
Durante o desenho do produto, a equipe percebeu que os padrões da ABNT para capacetes de ciclismo não contemplam geometrias para pessoas negras e enviaram à entidade sugestões, testes e provas para pedir a aprovação do projeto, que está sob análise.

A ideia agora é buscar parcerias para ampliar a distribuição dentro e fora do país. A expectativa é iniciar a produção ainda em agosto.

A La Frida Bikes funciona como um espaço feminista em Salvador que pensa soluções para a inclusão de pessoas negras e periféricas na mobilidade em bicicleta.

Um dos projetos mais bem sucedidos da casa, o "Preta, Vem de Bike", que ensina a mulheres negras noções básicas de pedalada e mecânica, já atendeu 400 mulheres, se expandiu para o Recôncavo baiano e São Paulo, e foi premiado pelo Frida The Young Feminist Fund como um dos projetos sociais de maior impacto do mundo.

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