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Cursinhos causam polêmica por camisas 'intimidatórias' no Enem 2019: veja

Frases como: "Em luto… pela sua derrota", "passo porque sei", "eu posso, eu passo" ou "sua vaga é minha" foram algumas das elencadas pelos candidatos

Por Carlos Rocha

10h43 - Atualizado 11/11/2019 às 09h47
Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Um assunto polêmico tomou conta de grupos de discussão e rodas de conversa após a aplicação da primeira prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2019). Estudantes, principalmente da rede pública, relataram ter se deparado com estudantes concorrentes usando camisetas com frases intimidatórias, como: "Em luto… pela sua derrota", "passo porque sei", "eu posso, eu passo" ou "sua vaga é minha".

O assunto acendeu o alerta para a desigualdade social e até que ponto o sentimento de autoconfiança passa a ser intimidação. O portal BBC News Brasil entrevistou alguns jovens que passaram por situações similares no primeiro dia de aplicação do exame.

Quando o estudante Gabriel Gonçalves, de 19 anos, entrou na sala para fazer a prova do Enem no domingo (3), ele contou sete pessoas vestidas com camisetas que tinham a frase "Tenho redação nota mil garantida".

Aluno de uma escola estadual de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, ele conta que a sua primeira reação ao deparar com o recado foi de "intimidação".

"Eu já estava muito ansioso, claro, e aí quando vi aquilo, inconscientemente aumentou ainda mais a minha ansiedade. Eu respirei fundo, contei até três, e fui me acalmando", conta o jovem, morador da pequena Pradópolis.

Foto: Reprodução; Redes Sociais

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A situação não é incomum. Em diversos locais de provas do Brasil, estudantes de colégios e cursinhos preparatórios para o vestibular vestem a camisa — literalmente — na hora das provas.

Nas últimas semanas, o assunto voltou a ser debatido nas redes sociais, após relatos de alguns estudantes, a maioria de escola pública, que acham que há uma tentativa de desestabilizar outros "concorrentes".

A discussão da internet também chegou aos ambientes escolares. A estudante Carolina Sobral, de 18 anos, levou a questão para sala de aula e a outros colegas.

No domingo, ela usou a camisa do cursinho que faz, no Recife, para a prova: "O curso foi muito importante para mim, porque me ajudou num momento muito difícil, de depressão, ansiedade, então quis usar pra me sentir bem", conta.

A pernambucana, entretanto, conta que toda a discussão a levou a refletir sobre a desigualdade de oportunidades na educação brasileira.

Neste ano, cerca de 5 milhões de brasileiros se inscreveram para o Enem, que terá a segunda etapa realizada com provas de ciências da natureza e matemática no próximo domingo (10).

Desses, cerca de 1,1 milhão estudam em escolas públicas e outros 1,9 milhão são ex-alunos da rede pública ou bolsistas integral na rede privada, segundo dados do Inep, que organiza a prova. Ou seja, São 3 milhões de candidatos que não têm, ou tinham, condições de pagar por educação.