sábado, 14 de dezembro de 2019
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Caso de criança intoxicada por slime não é isolado e pediatra faz alerta

Garota ficou à beira da morte após produzir a "geleca" caseira e nas redes sociais, diversos pais relataram situações semelhantes

Por Carlos Rocha

16h32

O caso de uma menina 8 anos que quase foi a óbito por produzir slime em casanão é isolado. Após escrever um desabafo emocionante nas redes sociais, a mãe da garota, Thamires Ximenes, que mora em Brasília, recebeu diversos comentários de pais que enfrentaram situações similares, mas em menor grau de periculosidade. Segundo os internautas, seus filhos também esboçaram reações alérgicas após o contato com o brinquedo.

“Ocorreu o mesmo com o nosso filho, mas em menor proporção. Ele brincou com slime espalhando pelo corpo inteiro e três dias depois estava com as mesmas manchas de sua filha. A princípio, imaginamos se tratar de uma intoxicação alimentar, mas o médico não conseguiu identificar a causa da alergia. Somente ontem, ao ver sua postagem, a ficha caiu”, declarou uma internauta. “Meu filho teve os mesmos sintomas! […] Nunca pensei que fosse isso! Foi parar no hospital duas vezes, e achamos que era virose”, desabafou outra.

Em entrevista ao Portal Metrópoles, Thamires disse que se surpreendeu com a repercussão do post. “O médico da minha pequena contou que atende muitos casos de alergias parecidas pelo uso do slime, mas eu não esperava receber tantos desabafos. Torço para que a minha mensagem e a de outras pessoas que contribuíram sirvam de alerta”, declarou a influenciadora digital. A publicação, até o momento, tem mais de 5 mil comentários.

Alerta

A médica Andréa Kasmim, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, revela que muitas receitas caseiras de slime têm água boricada [usada pela pequena brasiliense para produzir a geleca], bicarbonato de sódio e bórax, composto químico usado em inseticidas, produtos de limpeza e medicamentos.

“A manipulação da água boricada e do ácido bórico é muito perigosa porque pode intoxicar a criança e provocar até queimaduras de segundo grau, especialmente em locais mais sensíveis, como a parte interna da perna”, ressalta a pediatra.

Andréa salienta que não existe uma dose mínima dos ingredientes para tornar a brincadeira nociva. Pontua ainda que não adianta os pais fazerem a massa para as crianças brincarem: “O problema não está em fazer, está em manipular, devido à absorção cutânea”.

Mesmo as slimes feitas com ingredientes considerados menos tóxicos podem trazer riscos para os mais novos. Os pequenos podem levar o produto à boca ou coçar os olhos e nariz com a mão suja, provocando intoxicação de mucosa por ingestão, ardência e vermelhidão nos olhos. Nesse caso, o certo a se fazer é lavar com água corrente; caso não melhore, a criança deve ser levada a um pronto-socorro.

O componente com maior potencial nocivo, porém, é o bórax. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), inclusive, lançou em maio deste ano um comunicado alertando a população sobre o uso dessa substância.

A agência lembra que o químico faz parte da receita de vários produtos, como fertilizantes, insumos de limpeza e até medicamentos. Porém, se for inalado ou ingerido, pode causar intoxicação. “A substância bórax, também conhecida como borato de sódio, vem sendo utilizada e vendida de forma inadequada como ativador de slime”, diz a nota.

O órgão avisa que a substância não deve ser manipulada por crianças. Em caso de intoxicação, podem ocorrer náuseas, vômitos, diarreia, dor de estômago, erupções cutâneas, depressão do sistema nervoso central, convulsões e febre.

Em caso de intoxicação, a orientação é não provocar vômito, não ingerir água, leite ou qualquer outro líquido e entrar em contato com o Centro de Informações Toxicológicas do seu estado (telefones aqui) para mais informações de como proceder.