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Comprova desmente 3 boatos verificados sobre as urnas eletrônicas no primeiro turno das eleições 2018

Projeto investiga informações enganosas, inventadas e deliberadamente falsas durante a campanha presidencial de 2018.

Por Redação Portal T5

16h52

O "Comprova" é um um projeto que reúne jornalistas de 24 diferentes veículos de comunicação brasileiros para descobrir e investigar informações enganosas, inventadas e deliberadamente falsas durante a campanha presidencial de 2018. Seja em forma de texto, foto ou vídeos, muitos boatos circulam pelas redes sociais como forma de induzir o eleitor ao erro ou dúvida sobre candidatos ou situações que os envolvam.


Vamos conferir três boatos que foram compartilhados na semana após o primeiro turno das eleições:

1. Vídeo questionando eleição de 2014 usou lei matemática que não prova fraude

É enganoso um vídeo que afirma ter havido uma alta chance (73,14%) de fraude na eleição de 2014. Quem apresenta o vídeo é Hugo César Hoeschl, ex-procurador da Fazenda. Ele afirma ter usado a Lei de Benford, uma regra estatística, para indicar a probabilidade de fraude na eleição de 2014 e que o mesmo método seria usado em 2018.

Não há evidência sobre a acusação do vídeo. Hoeschl diz que “estudos com reconhecimento internacional” corroboram a sua afirmação. O Comprova não encontrou nenhum artigo científico sobre o tema, apenas um texto assinado pelo próprio Hoeschl. Ele também afirma que as urnas eletrônicas brasileiras não são auditáveis, o que é falso — houve uma auditoria em 2014, por exemplo.

A missão da OEA (Organização dos Estados Americanos) que acompanha o processo eleitoral brasileiro em 2018 descarta a Lei de Benford por considerá-la pouco confiável para esses casos. O uso dela como indicador de fraude eleitoral é questionado por diversos pesquisadores da área — como da Caltech, Carter Center e Universidade de Columbia, todos nos EUA. Posição semelhante teve um grupo especializado em processos eleitorais e democracia do Conselho Europeu, instituição da União Europeia. Esse grupo diz ainda que aparentes anomalias estatísticas em resultados podem ser fruto de fatores sociais e geográficos, não de fraude.

A lisura das urnas eletrônicas tem sido questionada em 2018, mas sem apresentação de evidências. Desde 1996 elas são usadas no Brasil e nunca houve um caso comprovado de fraude eleitoral.


2. É falso boletim de urna em que votação de Haddad supera total de votos

É falsa a imagem de um boletim de urna segundo a qual Fernando Haddad teve mais votos do que o número de pessoas que usaram aquela mesma urna eletrônica. A imagem foi manipulada.

Na montagem, Haddad teve 9.909 votos, enquanto o total de eleitores que votaram foi 477. Mas na verdade, Haddad teve nove votos (0009, conforme aparece no boletim original). O Comprova teve acesso ao documento oficial da urna e à foto original, que foi adulterada.

Segundo a mesma montagem, Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin não teriam tido nenhum voto naquela urna, o que também é falso. Conforme o Tribunal Superior Eleitoral esclarece, o nome de quem não recebe nenhum voto nem sequer aparecem no boletim de urna. No documento verídico, Bolsonaro recebeu 372 votos, e Alckmin, 11. A urna em questão estava em Nagoia, cidade do Japão — brasileiros no exterior também podem se registrar e votar para presidente.

3. Número de Bolsonaro apareceu como ‘nulo’ porque voto era para governador

São enganosos dois vídeos em que eleitores filmam da cabine de votação (o que pode configurar crime eleitoral) e sugerem haver falha nas urnas eletrônicas contra Jair Bolsonaro. Eles apertam o 17, número do partido de Bolsonaro (PSL), mas só aparece a mensagem “voto nulo”.

Acontece que nos dois vídeos estão visíveis os dizeres na tela da urna eletrônica: “seu voto para governador(a)”. Em um dos vídeos, o eleitor diz estar em Mossoró (RN). No Rio Grande do Norte não havia nenhum candidato ao governo estadual pelo PSL, portanto votar 17 para governador no estado significou dar um voto nulo. O mesmo para o outro vídeo que circulou, em que o eleitor afirma estar no estado do Rio de Janeiro, onde o PSL não lançou nenhum nome ao governo estadual.