Namorado surpreende companheira e faz pedido de casamento durante quadrilha na PB

Noiva é surpreendida em casamento matuto de quadrilha

A alegria do São João tem vários elementos que fazem a celebração se tornar especial no Nordeste. O ponto mais esperado por todos na festa é sempre a quadrilha. Ritmada pelo baião, com linguajar próprio, o marcador guia os dançarinos ao comandos de anarriê e alavantú. Quem perde o caminho da roça pode acabar dançando com a vassoura. 

Foi entre a marcação dos passos das tradicionais quadrilhas que Cristiane Moreira cresceu, em um bairro do município de Patos, no coração do Sertão. Paraibana de coração, a brasiliense desde cedo se encantou com o brilho e alegria de uma das manifestações de dança mais autênticas da região neste período. “Eu comecei a dançar quadrilha desde criança, depois entrei nos grupos adolescentes até os de adultos. A gente vem de uma cultura que celebra muito o festejo junino”, justificou.

Cristiane só não imaginava que iria encontrar o amor da sua vida em uma das apresentações da Quadrilha Paraíso das Letras numa das noites do mês de junho de 1994. 

Vindo de férias de Natal, capital do Rio Grande do Norte, o marinheiro Alexsandro Canuto não tirou os olhos da dançaria entre os anarriês e alavantús no salão. A dama retribuiu e, de longe, iniciaram a paquera, depois o balancê, até o namoro começar. Ele se apaixonou não só por Cristiane, mas também pela quadrilha.

VIVA OS NOIVOS

O pedido

Após alguns anos de namoro, em uma noite de São João, o casal foi convidado para representar os noivos do casamento matuto em uma das apresentações do grupo na cidade. Mal sabia Cristiane, que a brincadeira estava prestes a se tornar realidade. Com uma aliança escondida no bolso, de surpresa, Alexsandro pediu a namorada em casamento no meio da cerimônia matuta. 

Eu não esperava. Foi tudo muito misturado, nervosismo e alegria. Aceitei na hora!

Felizes, Cristiane e Alexsandro deixaram o salão com alianças nos dedos, mas por pouco tempo.

No Sertão, o primeiro pedido deve ser feito ao pai da noiva para poder levá-la ao altar, mas o pai de Cristiane nem desconfiava da intenção. No outro dia, de mãos limpas, o casal apareceu em casa com a novidade. “Meu pai era muito rígido, Alexsandro teve que fazer o pedido formal para dar tudo certo”, contou.

Depois do casório, a quadrilha continuou uns bons anos a frente na vida dos apaixonados. Hoje as lembranças continuam vivas em uma das terras mais tradicionais do São João na Paraíba, ao lado de três filhos, o casal comemora o início da paixão no dia de São João. 

“Para mim esse mês de junho tem um significado muito grande. É festa, alegria, e foi quando encontrei o meu amor”, contou.