Forró é tratamento para crianças internadas em hospital na PB

Forró auxilia tratamento de crianças em hospital na PB

As noites enfeitadas de fogos no céu, fartura nas mesas, união de famílias e colorido das bandeiras são características quase unânimes nas festas de São João do interior da Paraíba. No entanto, engana-se quem pensa que o encanto junino não chega a todos os lugares, inclusive na ala pediátrica do Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa.

São João também é tempo de solidariedade. Pensando nisso, médicos, enfermeiros, funcionários e voluntários se unem há três anos para organizar a comemoração junina de aproximadamente 25 crianças internadas no hospital. 

O planejamento da decoração dos corredores, da festa e até dos trajes típicos das crianças incluiu antes a realização de um bazar. A venda de roupas, calçados e acessórios arrecadou recursos para o arraial que, além de divertir, ajuda a curar.

Solidariedade Junina

Há 34 anos trabalhando na unidade hospitalar, a enfermeira Fátima Maria incluiu o evento na vida dos pacientes desde a implantação da Brinquedoteca, que é responsável. “É uma maneira de levar alegria para que eles não se sintam excluídos da sociedade nessa época”, contou. 

Para as profissionais, o esforço vale a pena e tem resposta imediata: “São João é a festa da colheita e da fartura na mesa, mas não só isso, é a fartura da saúde também. É recompensador ver a alegria nos rostos das crianças”, revelou a enfermeira Daniela Karine.

A beleza percebida por fora também é sentida por dentro. Para os pequenos pacientes, deixar a realidade do tratamento de lado por alguns instantes é fundamental para a recuperação. “A criança é movida por sonhos e energias positivas. Quando se trabalha aquilo que ninguém está vendo, mas é importante, a possibilidade de recuperação é maior”, explicou a pediatra Alexandrina Lopes.

Às vezes, as pessoas pensam que no hospital só existe doença, mas aqui também tem alegria, pamonha, canjica, festa junina e pessoas de coração enorme.

Alexandrina Lopes – Médica

A troca da rotina hospitalar pelo compasso do forró-pé-serra no saguão do hospital foi tão esperada por Joanderson dos Santos, de 16 anos, que ele fez questão de participar da ornamentação da festa e confecção das lembrancinhas. À espera de um transplante de pulmão, por conta de uma doença crônica, o adolescente vive há oito anos entre sua casa e o hospital. "É muito bom, traz animação para quem fica muito tempo aqui e no São João é ainda mais animado porque tem música", contou.

Com tudo o que tem direito, pacientes, familiares e profissionais da saúde dividem momentos de união e estreitamento das relações com trajes, comidas típicas e a música. Ao tocar da sanfona, Joanderson arriscou os passos de forró com Ana Paula, auxiliar de enfermagem da Clínica Pediátrica. Para ela, a interação nas festas faz diretamente parte do tratamento: "No hospital também é fundamental ficarmos com as pessoas que queremos ao nosso lado. Passamos horas aqui dentro e acabamos virando todos uma família só", enfatizou.