Forró e quadrilha embalam reencontros em aeroporto na PB

Forró e quadrilha embalam reencontros em aeroporto

Aeroportos de qualquer lugar do mundo são ocupados por fortes sentimentos de encontros e partidas amontoados nas bagagens de passageiros, que lotam os saguões todos os dias. Na Paraíba não é diferente. No período junino, centenas de pessoas chegam ao estado pelo Aeroporto Internacional Castro Pinto, em João Pessoa. Mas em poucos lugares como aqui, turistas e conterrâneos são recebidos pelo que há de mais autêntico nesta terra: o forró.

E mais ainda, uma quadrilha que marca os passos pelo salão chamando atenção de funcionários, curiosos, dos parentes que aguardam com saudade os familiares, e, claro, quem está chegando fica encantado. Um trio de forró pé-de-serra preenche de aconchego os ouvidos dos que partiram da terra natal ou pisam aqui pela primeira vez. Tocar e dançar para quem está entrando nesta casa são questões de honra. “Estamos mantendo a nossa cultura viva, isso com certeza é maravilhoso para quem está chegando”, garante o músico Diassis, integrante do trio Forró Pra Dançar

Sem hábito, alguns que passaram pelo portão de desembarque tomaram um susto, outros reconheceram seu lugar de morada e, sem timidez, afirmaram seu espaço na terra do forró. Há também quem entre na onda para arriscar os passos de Anarriê e Alavantú. Não há quem resista prestar um pouco de atenção, nem que seja com o rabo de olho. De repente, a alegria contagia.

Família pertinho

A ansiedade da chegada da prima do Sudeste foi acompanhada pelo forró entusiasmado do trio pé-de-serra. A paraibana Deyse Ferreira vai acolher a prima em casa por uma semana, mas se pudesse, juntaria toda família nesse período. “É muita alegria receber os parentes aqui. A nossa vontade é trazer todo mundo, mas não dá. A família está distante, a gente faz o que pode”, contou.

Quem vem do frio de São Paulo, aquece o coração já no compasso do ritmo da zabumba. “Desci aqui, ouvi a música e esqueci dos problemas. A gente já quer brincar, dançar, dá uma alegria muito grande!”, contou Eliane Florêncio, que tem a mãe paraibana e vai ser recepcionada pela prima. A hóspede revelou que a folga do trabalho vai ser dividida entre João Pessoa e Campina Grande, mas a maior motivação é o encontro e matar as saudades: “Aqui está a minha grande família. Os amigos e parentes unidos são muito acolhedores, é um povo que cativa a gente”.

Novos encontros

O voo do Rio de Janeiro para capital do estado trouxe a vontade de matar as saudades e também a possibilidade de novas amizades. Longe de casa há quase dez anos, as paraibanas Rejane e Maria Vitória não se conheciam até embarcarem de volta para o aconchego da família. Durante a viagem, elas conversaram sobre como seria bom um acolhimento diferente na terra natal. “Não imaginei, mas pensei que seria tão bom chegar e encontrar uma recepção aqui, dito e feito”, contou Rejane, que não perdeu tempo e dançou com um dos participantes da quadrilha.

Para Maria Vitória, com a família inteira morando em João Pessoa e Guarabira, é impossível esconder a alegria de estar de volta: “São João para mim é família, forró, comida de milho. É perfeito ser recebido assim”, contou. 

Em comum, as jovens dividiam a expectativa de reencontrar os parentes e o coração aberto para o nascimentos de novas amizades nestas festas de São João.