Apaixonados curtem festas juninas no Cariri da Paraíba

Apaixonados curtem festas juninas no Cariri da PB

Quem mora na Paraíba sabe que o município de Monteiro é um dos pilares da tradição junina no estado. As festas de São João no centro da cidade e nos sítios reúnem centenas de famílias. Nos terreiros, fogos colorem o céu e as fogueiras testemunham e aquecem novos amores.

Com o forró correndo nas veias, como para qualquer nascido nessa cidade no Cariri do estado, Ursula e Ivaldo iniciaram o namoro sem aprovação da mãe da jovem, no fim dos anos 1990. 

Ela era recém formada professora de Ensino Infantil e a mãe, cuidadosa, acreditava que a filha não poderia se apaixonar por um caminhoneiro, muito menos Ivaldo, que estava morando em São Paulo. 

Os conselhos da mãe sequer entraram por um ouvido, Ursula não pensou duas vezes para viver o grande amor e fugiu de casa.  

Na boleia do caminhão de Ivaldo, ela parecia estar decidida a pegar a estrada com o namorado, mas a façanha durou pouco mais de um mês. Após poucos quilômetros de aventura, o casal se deu conta que fugiu na época errada, às vésperas do São João. 

“Saí de casa em maio e passei um tempo sem dar notícias para minha mãe. Só depois percebemos que era quase São João, como é que eu ia perder essa festa?”, lembrou aos risos. 

Arrependida da fuga, principalmente da escolha do período para o feito, a jovem professora precisava recuperar o perdão da mãe e de quebra aproveitar a festa na cidade natal. 

Então voltaram! Úrsula e Ivaldo decidiram pegar de volta o caminho para casa, pedir o perdão da mãe e oficializar a união, que dura 21 anos. Sem esquecer as tradições dessa época e as raízes familiares, o casal e os dois filhos, hoje morando em João Pessoa, não deixam de passar o São João na casa dos parentes na cidade que nasceram.

Ela não queria me ver nem pintada de ouro. Voltei na véspera do São João e deu tudo certo!

Ursula Feitosa - Professora

Forró no caminhão

Recuperado o aconchego de casa, o fôlego para animação das festas juninas só aumentou. O caminhão-cegonha de Ivaldo entrou na rota do forró e virou palco para uma das quadrilhas mais diferentes do estado.

Motorizados, casais vibraram com a ideia de dançar no piso da carreta em movimento pelas ruas de Monteiro. Enfeitado com bandeiras, balões e casais de bonecos matutos, os organizadores até tentaram colocar um trio de forró pé-de-serra para acompanhar. "Não deu muito certo a banda ao vivo. Era uma loucura de zabumbeiro caindo por cima do sanfoneiro (risos), resolvemos colocar um som mesmo. E desse jeito era diverto demais!", lembra Ursula aos risos.

Quem não fazia parte da quadrilha estava na porta de casa vendo a alegria passar. "A exigência para fazer parte do grupo era estar totalmente a caráter como matuto e não é qualquer matuto não, são aqueles bem feios mesmo", afirmou.

Ursula expliou que há dois anos a quadrilha no caminhão-cegonha não acontece mais por conta do falecimento de um dos amigos integrantes da brincadeira. "Era muito bom, a gente se divertia bastante. E São João é isso mesmo: época de reencontrar todo mundo que fez e faz parte de nossa vida", finalizou.