Sítio do forró em miniatura aquece clima junino

Sítio do forró em miniatura aquece clima junino

As marcas do tempo nas mãos da aposentada de 65 anos não escondem o período da infância vivido na casa do avô, em um pequeno sítio do município de Barra de Santa Rosa, no Cariri da Paraíba. Dona Nide Nunes já carregou muita água e comida no cangalha do jumento, viu a seca castigar a terra e muita gente viver apenas da renda do sisal. 

Hoje morando na capital paraibana, a barrense conta os dias da chegada do São João para poder voltar à terra natal. 

O tempo passa até mais rápido quando ela pensa na melhor época que remete à infância feliz neste período. 

Foi movida por saudade que ela descobriu um dom: fabricar peças cheias de sentido e emoção com os materiais mais simples vindos da terra. 

Se o São João não chega logo, o que fazer para ficar mais perto dele? Com o tempo que sobrava entre as atividades domésticas, a aposentada criou o terreiro de um sítio genuinamente junino em miniatura no jardim da casa. “Comecei em janeiro para quando junho chegar tá tudo pronto. Mas ainda não fiz tudo do jeito que queria!”, contou.

Durante a entrevista, incontáveis horas na confecção pareceram não ter sido suficientes, sempre faltava algum detalhe para ser ajustado. A busca pela perfeição não é por acaso. A volta ao passado traz saudades exigentes: “Com certeza ela quis retratar a infância e a juventude dela. Tudo o que ela narra com esse sítio são recordações”, disse a cunhada, Cleonice Nunes.

A autenticidade vai além da habilidade manual, surge do coração. “Ninguém me ensinou nada, eu tiro tudo da cabeça e das mãos. Me sento em um cantinho, mexo no barro e logo faço uma galinha, os ovinhos dela...”, disse encabulada. A carência de vaidade não a permite a afirmação de se reconhecer arista, ela garante que faz tudo por diversão

Quando começa o ano eu já penso que vai chegar o São João. Todo mundo gosta dessa época!

Dona Nide - Artesã

A descoberta de uma artesã na família foi surpresa para os parentes. “Ninguém na família nunca fez esse tipo de trabalho, quem iniciou isso aí foi ela”, contou a filha, Divânia Nunes.

No Sítio São João – Caminho da Roça tem de tudo, uma casinha simples de taipa, daquelas que figuram a estrada de caminho para casa, decora por dentro e por fora o ambiente. O afeto e as recordações estão presentes no interior do lar: pratos, copos, panelas, utensílios de cama e banho que dona de casa nenhuma ousaria colocar defeito, todos estão lá e cabem na palma da mão. 

Por fora as lembranças do casal de namorados, dos fogos de artifícios feito pelo avô, a carroça de bois do tio são elementos trazem lembranças e contam histórias. Uma fogueira no centro de tudo não pode faltar. É ao redor dela que a família se reúne para comemorar. Bandeirolas, balões e um sanfoneiro deixam a luz das chamas ainda mais charmosa. 

Parece só recordação, mas é lei: os integrantes da família Nunes têm que se reunir para celebrar as festas do interior. 

“Nos encontramos no sítio e é tudo desse jeito, fazemos pamonha, canjica, soltamos fogos. A quadrilha lá é feito só por gente da nossa família e é para fechar a rua. Eu olho para esse sítio e é mesmo que estar lá”, disse a filha de Dona Nide.

Ficar mais perto de quem se ama, lembrar de tempos felizes e se permitir ainda mais alegria no presente é característica certa de qualquer nordestino nas festas juninas, com a família Nunes de Barra de Santa Rosa não poderia ser diferente!