Juliana, do MasterChef, usa blogueira como exemplo para alertar sobre discurso de ódio na internet

A candidata a MasterChef revelou que é vítima do discurso de ódio assim como Aline foi

Por Carlos Rocha


Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Juliana Nicoli, uma das participantes do programa MasterChef Brasil 2019, usou o seu perfil no Instagram para fazer um desabafo sobre o poder devastador do discurso de ódio na internet. Ela deu o exemplo da morte da Blogueira Aline, dona da página "Seja Sincera", que tirou a própria vida após ser receber uma onda de críticas na internet. O noivo de Aline terminou o relacionamento às vésperas da cerimônia e a blogueira resolveu não cancelar a celebração. A candidata a MasterChef revelou que é vítima do discurso de ódio assim como Aline foi.

"Resolvi aparecer aqui depois de ver na internet um caso que me deixou extremamente triste, tocada e chocada. Não tão chocada porque assim como o caso que eu vou expor aqui, aconteceu e acontece comigo e com uma série de pessoas. O caso que eu vou falar que eu é da Aline, que tem um Instagram que se chama "Seja Sincera", que foi criado para ajudar as pessoas com depressão. A Aline passou por uma situação extremamente ruim na vida. Ela tinha casamento marcado e o noivo terminou com ela um dia antes do casamento. Ela mesmo assim resolveu comemorar o casamento lindamente. Ela foi a este casamento, comemorou, participou deste momento e postou isso nas redes sociais. A Aline foi extremamente criticada, xingada, tiveram inúmeros comentários ofensivos, inclusive que ela estaria fazendo isso por marketing. Essa menina já tinha passado por um processo de depressão. Depois disso ela simplesmente tirou a própria vida. ", disse no vídeo.

Juliana Nicoli é enfermeira e dirige um hospital. Ela compartilhou seus seguidores os números alarmantes relacionados à depressão. Ela afirmou que as redes sociais têm potencializado o quadro de quem já passa por esse tipo de situação. Juliana declarou que, com sua participação no programa, foi vítima de discurso de ódio na internet.

"Sou da área da saúde e a depressão tem matado muito mais do que a gente possa imaginar. Estudos revelam problemas sérios de pessoas na rede social com processo depressivo. Assim como Aline, eu também senti na pele vários comentários ofensivos e muitos deles sem me conhecer. Esses comentários poderiam desencadear uma condição de depressão ou até doenças mais complexas devido à exposição, devido ao programa MasterChef, devido a uma série de coisas", alertou.

A candidata  a MasterChef alertou que na internet é colocado apenas o superficial. Segundo ela, ninguém sabe como as pessoas estão por dentro e uma palavra em forma de julgamento pode ter um poder devastador.

"A gente precisa parar de julgar sem conhecer o outro, sem conhecer a essência do outro. A gente tem que tomar cuidado com o que falamos. A nossa fala, as nossas escritas, o nosso comentário na internet pode levar o outro a uma série de condições lamentáveis. Pessoas que a gente não conhece, que a gente não sabe pelo que tá passando, a gente não sabe qual é o momento que tá vivendo, qual a história que aquela pessoa tá vivendo. A gente vê na internet apenas o superficial".

Juliana alertou que poderia ter sido mais um vítima, assim como Aline, caso não tivesse uma estrutura para suportar os haters.

"Todo mundo tem uma essência, todo mundo tem uma história e nem todo mundo expõe nas redes sociais. A gente precisa ter consciência mental e emocional para tomar cuidado com que a gente faz com a vida do outro. O que Aline sofreu eu também sofri e talvez se a Juliana não tivesse um apoio familiar forte, se eu não tivesse amigos que estivessem comigo, se a minha família não me conhecesse e não me desse um apoio, se meus amigos não tivesse do meu lado poderia ter levado Por Água Abaixo várias coisas que eu consegui na vida", disse.

A enfermeira finalizou dizendo que a blogueira morreu por não ter a sua forma de viver sua dor compreendida pelas pessoas. As declarações de Juliana repercutiram na internet.

"O que vocês escrevem na internet todo mundo lê. O que aconteceu com essa menina foi que ela tentou viver a dela da maneira dela e as pessoas julgaram pela forma como ela quis viver essa dor", finalizou.